Se fizer uma pesquisa no site do DIÁRIO com as seguintes palavras no motor de busca “comunicado da Quinta Vigia”, rapidamente se aperceberá que a avalanche de pseudo-esclarecimentos que branqueiam factos, que saneiam personalidades e que vomitam ódio às mais variadas formas de exercer a democracia não controlada pelo regime na Madeira, mais do que quintuplicou nos últimos sete anos. Sintomático de um governo que agora só administra mediante o aval externo e que só executa com o dinheiro dos outros para continuar a fingir que governa.

A Presidência do Governo Regional é uma fábrica de produção de papel manuscrito. Um altifalante azul que cospe censura sobre as folhas de jornais - livres e traficados com o uso do erário - que rasga a liberdade de imprensa na mesa alheia, que “manda executar” quem fala a verdade inconveniente e que enxovalha quem traz à luz do dia a verdade oculta, quem promove o pluralismo e tem opinião própria.

Daria uma boa tese de mestrado sobre más práticas em Comunicação e Marketing institucional, seria um bom ponto de partida para elaborar o manual para um melhor entendimento sobre Ciência Política de Má Memória ou para uma explanação académica sobre os Novos Secretariados de Propaganda Nacional, 40 anos após o fim do Salazarismo.

Só em comunicados de imprensa, a máquina de propaganda jardinista emite uma média de dois textos por dia, uma produtividade bem superior às deliberações que saem, às quintas-feiras, das reuniões do conselho de governo. Habituado a governar colocando aos jornalistas as perguntas que pretende responder, a presidência do Governo Regional tornou-se num Secretariado de Propaganda Regional que insiste na política da contra-informação com o objectivo de manipular a opinião pública e de manter o poder blindado a qualquer custo e bem longe do escrutínio da comunicação social, expurgando para bem longe a culpa pelos pecados da governação.

A máquina de produção de “esclarecimentos” - que não esclarecem absolutamente nada e, na esmagadora maior parte das vezes, não são mais do que um compêndio de ofensas, insultos e de juízos de valor só compreensíveis à luz da psicanálise - vai escapando à obrigação de prestar informação às pessoas sobre a sua política executiva, sobre as contas públicas, sobre onde esbanja o parco dinheiro dos contribuintes, sobre o custo/benefício de muitas das suas opções políticas e das suas viagens secretas a Bruxelas, sobre o regime de excepcionalidade que desfruta enquanto caloteiro de facturas contraídas e por pagar. Sempre com direito a água e luz. Sempre com o altifalante azul na mão em riste.