António Cartaxo A Policia de Segurança Pública sempre foi o parente pobre das instituições policiais portuguesas, sempre que um reconhecimento é feito à PSP as restantes instituições congéneres já estão a reivindicar algo mais à frente. Nunca se percebeu muito bem a razão deste facto. Talvez falte alguma virilidade sindical na Policia de Segurança Pública. Aos profissionais da PSP têm vindo a ser retirados constantes direitos adquiridos, ao que alguns iluminados interessa referenciar como se de “regalias” se tratassem, lançando assim para cima da instituição e dos seus servidores o odioso de uma classe que acusam pretender um tratamento desigual quando comparados com os sacrifícios que actualmente fazem os restantes portugueses. E têm conseguido esses intentos de alguma forma. Jogados para a condição de simples “funcionários públicos”, quando interessa, e para a condição de corpo especial, também quando interessa, a PSP tem sido a sereia da politiquice barata, sem norte, sem plano, sem rumo, sem nada! Nem carne nem peixe. Ou as duas coisas conforme o que mais dá jeito à tutela! Como se não bastasse aos polícias não lhes ser reconhecido o direito ao subsídio de risco; não ganharem nenhum acréscimo financeiro pelo trabalho prestado aos feriados, Sábados, Domingos, dias santos, etc; não usufruírem de nenhuma compensação financeira pelas imensas horas extras que muitas vezes são obrigados a fazer, etc etc ainda são rotulados como sendo uma classe de privilegiados. Imaginem se não fossem. Recentemente o actual Ministro da Administração Interna, em pleno Parlamento, com as bancadas do hemiciclo repletas de profissionais da PSP, sindicalistas e outros tantos, reconheceu a necessidade justa de tipificar a actividade dos profissionais da Policia de Segurança Pública como cabendo na designação de Corpo Especial da Função Pública. Com toda a justiça. Logo, os polícias presentes, numa reacção de quem há décadas nada lhes é acrescentado ou reconhecido politicamente, bem pelo contrário, foram impelidos a aplaudir Miguel Macedo por esse motivo. Mas não demorou a reconhecerem o erro do precoce ‘lançamento dos foguetes’, porque as palmas tal como espontaneamente se iniciaram rapidamente se calaram… mas o erro já estava feito! Foi até visível o desagrado no rosto de Miguel Macedo pelo facto, como quem não está bem certo de poder cumprir a afirmação que acabara de fazer e consequentemente ter consciência que aquelas palmas podem não lhe ser merecidas. A incerteza do que se afirma tem aquele rosto de insegurança. Receio que aquelas palmas tenham sido um acto muito precipitado que podem não ter qualquer retorno, porque na política o que hoje é verdade amanhã pode ter outra designação qualquer. Embora a esperança sempre se alimente melhor na afirmação do que na negação, e todo aquele que procura reflectir uma realidade… equivoca-se menos e vive mais esperançado. Oxalá!