Comemora-se no próximo dia 13 de Novembro, 67 anos de Ensino Especializado na Madeira. A Academia de Música da Madeira formou durante décadas muitos jovens nesta área, dos quais saliento antes do 25 de abril, Victor Costa (Tenor e compositor), Fernando Eldoro (maestro), Raulino de Abreu (violinista), Ana Crawford do Nascimento, João Abreu, João Atanásio (pianistas), entre outros. A Escola de Música posterior à Academia, que começou por funcionar na Quinta Vigia e depois no ex-Hotel Nova Avenida, herdou o quadro docente desta instituição de Ensino Especializado, continuando na década de 80 a formar os músicos da Madeira. Destaco aqui dois: Norberto Gomes (violinista) e Luís Andrade (violoncelista e maestro), entre outros. Escola pública, de Direito Público, cobrava aos alunos apenas a matrícula. Não havia mensalidades. As audições realizavam-se no Salão da Escola e no Teatro Municipal, havendo concertos itinerantes pelos diferentes concelhos. Três saídas eram garantidas nos cursos: 1- continuação de estudos superiores em Portugal ou no estrangeiro; 2- habilitação musical para a docência no 2º ciclo do Ensino Básico; 3 – habilitação musical para iniciar atividade profissional (se fosse maior de idade), não carecendo de Carteira Profissional de Instrumentista. Mas, o que mais ressalva na memória desse tempo (anos 80) é o facto das Comissões Instaladoras, nunca terem assinado acordos ou contratos em nome dos alunos, revertendo-os em vantagem para a escola. E porque não? Porque, sendo a formação de jovens um assunto sério, ninguém se atreveu a quebrar essa regra de ouro. Quanto ao Ensino Especializado, em Portugal, vai bem e recomenda-se. Noutro prato da balança, estão os cortes anunciados pelo Ministério da Educação bem como o fim de muitos programas europeus de apoio à vertente profissionalizante. O Ensino Especializado volta ao primeiro plano! Quem sabe, ainda assistiremos à mudança de designação de alguns estabelecimentos de ensino.
Vítor Sardinha