Por mais quanto tempo se assistirá ao espectáculo deprimente de uns contra os outros, às facadas e traições, em plena praça pública, com recados directos e subversivos num festival rocambolesco cujo objectivo central é a data (incerta!) de um congresso electivo? O que é preciso para que a Madeira inteira deixe de estar capturada pelos interesses de pseudo-barões de um partido que se comporta como um grupo de guerrilheiros armados até aos dentes, ignorando sistematicamente os impactos e consequências das suas acções delirantes, sobretudo na governação? Quando é que podemos esperar que o Governo Regional comece a governar e a apresentar medidas e acções que ofereçam esperança aos madeirenses? É possível esperar por um governo com soluções, com a capacidade negocial e a credibilidade para retirar a RAM da crise em que está mergulhada? Parece evidente que não. Há, assim, uma ideia instalada que Jardim aguenta-se no governo por um fio. Há uma convicção de que Jardim deitava a toalha ao chão se soubesse que ganhava eleições, porque assim destruía todos os adversários internos. Mas não. Alberto João Jardim não deita a toalha ao chão porque sabe que já não ganha eleições. Já não sai pelo seu pé mas arrisca-se a ser corrido a pontapé! É este o cenário do ainda maior partido da Madeira, onde os seus principais protagonistas, no fundo a eventual reserva de esperança dos que alguma vez acreditaram no PSD-M, entretêm-se em disputas violentas e insensatas para uma batalha que devia se manter interna e distante da governação. Mas isso seria pedir muito. O PSD-M mistura tudo, confunde a maior parte das coisas e baralha o essencial para poder continuar a governar a seu belo prazer num emaranhado de insinuações e opções, normalmente erradas e prejudiciais aos madeirenses. Estamos, por isso, perante uma cumplicidade de valor muito negativo entre o governo regional e o PSD-M, onde uns e outros, em alguns casos os mesmos, concentram-se nas eleições internas e nos candidatos que aparecem quase todos os dias: quer diabolizando-os, quer endeusando-os, como se a nossa Região fosse o reduto exclusivo do PSD-M. Uma sede do tamanho da ilha! O resultado de mais de 35 anos de poder absoluto é sermos quase obrigados a observar um dos maiores absurdos da última década política: uma campanha com candidatos visíveis, outros dissimulados, outros ainda indecisos e outros fantoches escolhidos a dedo para servirem interesses de alguns (ainda) escondidos na gosma para entrar em cena quando lhes der jeito. Todos (em grande número!)) a levarem-se a sério para fazerem parte da escolha de uma liderança de um partido com data marcada para uma altura... totalmente incerta. Alguns deles acreditam poder ser já a seguir, outros daqui a seis meses e outros ainda apenas no Natal do ano que vem. É este o estado da arte que configura um festival de palhaçada deprimente. Uma região a definhar e esta gente a brincar aos congressos!
Carlos Pereira