Cláudia Mendonça Primeiro, quero informar que não sou enfermeira, nem licenciada (parece para vós ser um ponto importante). Sou uma pessoa normal, com um trabalho conseguido depois de um curso técnico, logo, supostamente mais uma frustrada que anda aqui a “passear”. Fazemos parte todos, segundo vocês e incluindo vocês, de uma sociedade profundamente frustrada que não consegue alcançar objectivos. Para mim, quase obrigada, a responder á letra, era desnecessário um debate público sobre a importância de cada profissão, assunto esse já muito debatido. Assistentes operacionais? importantes? Muito, cada segundo do vosso trabalho é tão importante quanto qualquer outro. Frustradas? Muito provavelmente, se vos respondesse mesmo á letra, pois não conseguiram ser enfermeiras. Tal como as enfermeiras não conseguiram ser médicas, tal como o cirurgião plástico, que queria muito pediatria. Este seria o vosso raciocínio, mas o meu é outro: cada profissão é importante, é derivada de opções de vida, de oportunidades e de escolhas. para ser um bom profissional é importante gostar, amar o que se escolheu para a vida e a partir dai temos todos os dias a profissão mais importante do mundo. Se os enfermeiros estão realmente frustrados, acho perfeitamente normal. Não pelo que fazem ou queriam fazer mas pelas mesmas razões de qualquer outro profissional em Portugal. Mas sendo mais directa e focada neste assunto, os enfermeiros fazem o quê? Apenas cuidam de vida? O que será que isso implica? Será que implica cuidado constante, responsabilidade acrescida, vivências de dor, de sofrimento? São a mão amiga, o conselheiro nas horas mais tristes! Apesar destas competências esta classe profissional também fará 40 horas semanais (perdendo tal como vos dias de folga). Muitos deles nem são remunerados como licenciados que são, sofrendo ainda imensos cortes nos suplementos de feriados, noites e fim de semana. Sem falar do número surreal e desumano de doentes que cada um tem á SUA RESPONSABILIDADE por turno, resultado da crescente falta destes profissionais em vários serviços. Certamente fiz-me perceber. Será que continuam a achar a luta dos enfermeiros infundada ? Na minha opinião são reivindicações normais de um povo quase esmagado pela suposta crise, não apenas enfermeiros, um povo, todos nós por o que achamos justo.