Bernardete Sousa * Para ajudar a minha filha, que não pode tirar umas dezenas de euros do seu apertado ordenado para levar uma criança ao Pediatra, nem tão pouco pode dar-se ao luxo de faltar uma tarde ou uma manhã ao trabalho para se dedicar às burocracias do centro de saúde, recorri a uma designada médica de família da ‘caixa’ para pedir um atestado para o meu neto poder entrar no infantário… À chegada fiquei logo a saber que a médica de família que me tinha sido atribuída não podia atender porque tinha muitos doentes marcados mas sugeriram que voltasse na semana seguinte para uma vaga e assim o fiz… No dia combinado aguardei mais de 2h para ser atendida e confesso ter dado o benefício da dúvida à “pequena médica” que de um modo incansável atendia vários doentes e respondia às várias solicitações. Quando me atendeu e se dedicou a observar o meu irrequieto neto com a paciência, meiguice e profissionalismo que pensei estar em vias de extinção na classe médica, admirei-a, observei-a e deseducadamente questionei-a (afinal poderia ser só uma estagiária…). Após a minha rude questão, fui esclarecida quanto ao facto de ser uma médica especialista sempre “aprendiz”! Não passou o atestado mas observou o meu neto da cabeça aos pés, medicou-o e deu indicação para re-observá-lo dentro de três dias. E assim foi, passados três dias, eu ainda não convencido, voltei ao Centro de Saúde e confiei a saúde de uma das minhas razões de viver (o meu neto), nas mãos daquela médica que aparentemente era tão frágil e audaz. A partir desta altura já se passaram meses e aquela que só iria passar o atestado ao meu neto, é neste momento sua pediatra, minha médica de família e da minha esposa, psicóloga… Bem haja Dra. Marta Dora pela sua dedicação, humildade e simpatia!
* (Em memória do meu marido Luís Sousa que foi cuidado até ao seu último momento pela Dra. Marta e desejava ver publicada esta carta que escreveu meses antes de falecer.)