“Quer ver a foca/Ficar feliz?/É pôr uma bola/No seu nariz” (Vinicius de Moraes). O super-homem do sistema, falcão do poder, um dia viu no fundo do poço sem fundo – nas profundezas do Inferno eterno – ideias novas e perigosas entre a nova maioria da claque do povo. Assaloiado, rústico, sentiu suores arrefecidos, calafrios, vertigens e caiu da cabeça abaixo, a pique. O corpo mole influencia a cabeça e a cabeça perdida dá cabo do resto num milésimo da milionésima parte do segundo. Agende-se, sem qualquer demora, a manifestação de razões subtis. Soltem-se enfim os discursos poéticos, manuscritos numa noite de serão e de ansiedades centrípetas, centrífugas ou fictícias. Na tabela dos prós e contras, encontre-se sem demora a razão descaracterizada na lógica do laxismo pós-moderno ou do neonarcisismo; uma lógica que não sofra de mandriice, de solipsismo entre o estômago e o ânus, mas que suporte ostensivamente um poder, uma doutrina, uma catequese. «O poder autêntico, o poder pelo qual temos de lutar noite e dia» – escreve George Orwell (1984) – «não é o poder sobre as coisas, mas sobre os homens». Daí que Robinson Crusoé só seja patrão, só seja realmente poder, quando chega o Sexta-Feira. Na esfera de interesses hedonistas, alimenta-se a confidência equidistante e parda com papel intermédio no convívio clandestino com as verdades da hipérbole que inventam novas cores ao arco-íris ou ao arco-da-velha. Gilles Lipovetsky (Era do Vazio) diz que «o laxismo leva a melhor sobre o moralismo ou o purismo, a indiferença sobre a intolerância». Alvin Toffler (Os Novos Poderes) dá um exemplo: «Exija-se demasiado de um sistema – um sistema digestivo, um sistema informático, um sistema de tráfico urbano ou um sistema político – e ele viola as suas normas tradicionais e comporta-se estranhamente». Se a bola fosse achatada nos polos seria imperfeitamente redonda como a terra. Juvenal Xavier Jornalista desportivo
“Quer ver a foca/Ficar feliz?/É pôr uma bola/No seu nariz” (Vinicius de Moraes).
O super-homem do sistema, falcão do poder, um dia viu no fundo do poço sem fundo – nas profundezas do Inferno eterno – ideias novas e perigosas entre a nova maioria da claque do povo. Assaloiado, rústico, sentiu suores arrefecidos, calafrios, vertigens e caiu da cabeça abaixo, a pique. O corpo mole influencia a cabeça e a cabeça perdida dá cabo do resto num milésimo da milionésima parte do segundo. Agende-se, sem qualquer demora, a manifestação de razões subtis. Soltem-se enfim os discursos poéticos, manuscritos numa noite de serão e de ansiedades centrípetas, centrífugas ou fictícias. Na tabela dos prós e contras, encontre-se sem demora a razão descaracterizada na lógica do laxismo pós-moderno ou do neonarcisismo; uma lógica que não sofra de mandriice, de solipsismo entre o estômago e o ânus, mas que suporte ostensivamente um poder, uma doutrina, uma catequese. «O poder autêntico, o poder pelo qual temos de lutar noite e dia» – escreve George Orwell (1984) – «não é o poder sobre as coisas, mas sobre os homens». Daí que Robinson Crusoé só seja patrão, só seja realmente poder, quando chega o Sexta-Feira. Na esfera de interesses hedonistas, alimenta-se a confidência equidistante e parda com papel intermédio no convívio clandestino com as verdades da hipérbole que inventam novas cores ao arco-íris ou ao arco-da-velha. Gilles Lipovetsky (Era do Vazio) diz que «o laxismo leva a melhor sobre o moralismo ou o purismo, a indiferença sobre a intolerância». Alvin Toffler (Os Novos Poderes) dá um exemplo: «Exija-se demasiado de um sistema – um sistema digestivo, um sistema informático, um sistema de tráfico urbano ou um sistema político – e ele viola as suas normas tradicionais e comporta-se estranhamente». Se a bola fosse achatada nos polos seria imperfeitamente redonda como a terra.
Juvenal Xavier Jornalista desportivo