O único caminho possível para a nossa Saúde é o da racionalização, onde os utentes acedem a serviços com a melhor capacidade técnica possível, utilizando o mínimo de recursos disponíveis. Em vez disso, tem-se optado pelo racionamento. Estas medidas estão a prejudicar o acesso dos portugueses à saúde. O racionamento dos cuidados de saúde aos cidadãos é uma realidade e não decorre de instruções ou decisões para limitar os cuidados de saúde, mas sim devido a uma contenção de gastos e falta de recursos. A crise financeira e a “troika” obrigam a que exista contenção orçamental, o que acaba por ter sempre um impacto negativo na saúde dos cidadãos. No entanto, muita coisa errada tem sido feita e justificada com a “crise” e a “troika”, limpando assim a face dos verdadeiros responsáveis. Os doentes que abandonam tratamentos aos primeiros sinais de melhoria, a dilatação de prazos de decisão para realização de tratamentos para assim “reduzir custos com prejuízo para os doentes”, a resposta terapêutica mais tardia face aos diagnósticos, a opção por tratamentos mais baratos e ineficazes em detrimento de outros mais adequados, etc… Tudo isto acontece no nosso país. Sempre se teve que fazer opções na Saúde, tomar decisões sobre a distribuição de recursos. Construir um novo hospital, comparticipar um medicamento, adquirir um novo equipamento, contratar mais médicos ou enfermeiros, são exemplos de opções que se têm de tomar pelo facto dos recursos serem limitados. O problema é quando os recursos diminuem e é necessário fazer escolhas bastante difíceis, mas que têm de ser feitas e da melhor maneira possível. Para isso devem ser definidos critérios claros mediante os quais os recursos devem ser geridos. Se existem menos recursos, aquilo que somos obrigados a perder em consequência das nossas escolhas é cada vez mais importante. Todas as decisões que se tomam na Saúde têm impacto na população e ninguém tem o direito de racionar a vida ou saúde das pessoas, por isso devemos ser exigentes, críticos e atentos com as opções que são tomadas.

Duarte Nuno Dória Gestor