Instala-se a dúvida acerca do significado de tão fraca prestação do modelo de ensino vigente, face aos critérios que presidiram à aferição do seu desempenho por parte do ministério da educação. Isto pode ser uma oportunidade de reflexão para repensar questões mais estruturais do nosso modelo de ensino, da sua organização, dos seus métodos pedagógicos! Receio no entanto que a estratégia do ministério, protetor e promotor do modelo instalado, não passa por fazer esta reflexão, a qual é forçosamente exigente e laborosa. Todas as mudanças são difíceis, como também é difícil vir a admitir que estávamos a seguir um rumo errado. Menos exigente e muito mais fácil é o procedimento do atual ministério da educação, limita-se a depositar a sua esperança no aliciamento e em estimular ainda mais a competitividade criando rankings e atribuindo prémios aos agrupamentos ‘mais eficazes’. Admito que pode haver uma competição saudável que tende a levar à evolução, mas duvido que esta ideia se deva institucionalizar a ponto de ser vista como a própria solução para o melhoramento do nosso sistema educativo. Não queremos o ‘ranking’, agora queremos o ‘discussing’ e com o envolvimento de todos! Os professores podem fazer muita diferença, bem como os pais, os alunos, o seu ambiente familiar, a ausência de carências ..., mas a meu ver nada se compara com o impacto do modelo educativo instituído, o qual merece ser discutido! A única escola pública que se consegue distinguir já há 37 anos com um modelo educativo diferente e com muito bons resultados é a Escola da Ponte e poderia, ou deveria ser o ponto de partida para uma aprofundada reflexão do nosso modelo de ensino.
Rui Almeida presidente do PAN na RAM