Terminámos recentemente a época turística de Verão que, de acordo com o que se vai ouvindo de vários quadrantes, públicos e privados, terá sido excelente. Os mesmos que assim catalogam a mencionada temporada são lestos a dar explicações, quase todas de carácter conjuntural, que procuram explicar este sucesso teoricamente alcançado. Mais uma vez, vou colocar-me ao lado da minoria discordante… Não podemos, de forma sustentada, afirmar que o Verão foi bom, mau ou assim-assim, isto porque, à priori, ninguém definiu nenhuma meta, procurou explicitar objectivos ou sequer disse vagamente onde queria chegar! A falta dessa métrica leva a que caiamos no “acho que”, que aliás legitima este permanente navegar à vista contra o qual tenho repetidamente vindo a gastar caracteres, alertando para a necessidade urgente de mudarmos de perspectiva, isto independentemente da tal aparente conjuntura favorável. Dou sempre como exemplo o ano de 2008, também na altura tido por espectacular, por termos atingido pela primeira vez o milhão de visitantes. Este milhão significou 60% de ocupação, a um preço médio de 55€ e com um Revpar de 37€. Significou, portanto, 40% de camas vazias, sendo as ocupadas vendidas a um preço inferior ao da concorrência, mesmo apesar de termos mais camas de 5 que de 3 estrelas e com um valor de Revpar igualmente inferior. Se alguém acha isto brilhante, para um destino que é apelidado (internamente, pelo menos) de excelência e que concorre ao prémio de melhor ilha do mundo, por mais que me esforce não consigo concordar! Exijamos, portanto, maior rigor na abordagem aos resultados. Contribuamos, todos, para o estabelecimento de uma métrica que vá lendo os resultados, comparando-os a todo o tempo com o que se previa alcançar, mesmo que seguindo uma via fácil, extrapolando tendo por base o ano anterior ou o melhor resultado de sempre. Felizmente, não ouvi ainda ninguém dizer que os números alcançados pelo destino se devem ao cuidado planeamento, à brilhante estratégia ou ao estudo bem conseguido das variáveis, o que significa que ainda existe algum decoro. Mas, se dissessem, era só mais uma discordância…
André Barreto