
1 - “O clube estava à beira do abismo e tomou a decisão certa: deu um passo em frente”. A frase é verdadeira, foi dita por um futebolista e entrou no anedotário da bola. Curioso é que a imagem do grupo que se precipita num abismo tem protagonistas reais e aqui tão perto.
Ontem, o Conselho Regional do PSD-Madeira, um órgão para o qual foram eleitos 55 militantes e onde têm lugar mais de uma centena de outros, por inerência, decidiu seguir, à letra e de forma cega, as directivas de um líder que já provou que não tem uma ideia, nem sequer ténue, do que o rodeia.
Depois de umas eleições em que os madeirenses foram mais do que claros ao punir o líder histórico do partido – Jardim foi a principal razão da derrota estrondosa – os militantes do clube laranja decidem seguir a vontade de quem os conduziu para a queda no abismo. O PSD-M já não está escorregar montanha abaixo, vai em queda livre sem pára-quedas. Mas cada um sabe de si e dos partidos sabem os militantes.
Curioso é tentar perceber o silêncio de toda aquela gente que nem precisa ser muito inteligente para perceber a mensagem das últimas eleições, mas que se acobarda, cala e dá o passo em frente rumo ao vazio.
Estaline, o monstro soviético responsável por atrocidades impensáveis, tinha tanto ascendente sobre os seus subalternos que chegava ao ponto de lhes entregar uma arma carregada para que se suicidassem. Nenhum a terá virado contra o ditador. Pensava que este medo irracional não era repetível.
Mas nada deveria surpreender, depois dos episódios desta semana: o líder foi desmascarado numa mentira – misturada com insultos – mas no partido continuam a tapar os olhos, os ouvidos e a boca e abanar a cabeça.
2 - ‘Virgens de bordel’ – só me ocorre esta expressão para classificar as queixas do PSD e do seu jornal em relação aos novos autarcas das sete câmaras que deixaram de pertencer ao universo laranja. Para gozo de todos, queixaram-se de votos comprados com sacos de arroz, quando antes a moeda, essa sim comprovada eram os sacos de cimentos. Queixaram-se de que os candidatos levaram pessoas a votar, quando antes eram os carros das câmaras e do governo. Anedótico.
Mais patética é a queixa de que as câmaras que foram perdidas pelo PSD-M deixaram de fazer publicidade num jornal gratuito, cumprindo aquilo a que estão obrigadas. Como um ex-secretário regional reconheceu numa conferência de imprensa - sem que o Ministério Público tenha agido em conformidade – o preço de capa desse jornal era só uma forma de contornar a lei. Uma ilegalidade que, agora, é corrigida pelos novos autarcas. É preciso não ter vergonha na cara.