O Mar tem um enorme potencial e oferece-nos um grande leque de oportunidades. Contudo, como foi sobejamente realçado no II Congresso Internacional “ O Desporto e o Mar”, uma organização conjunta do Clube Naval do Funchal e da Universidade da Madeira, que decorreu no início deste mês, pode afirmar-se que, ao contrário de um passado longínquo, estamos de “costas voltadas” para o Mar. É que não basta saber que existe Mar, não basta estar informado, ter alguns conhecimentos, é necessário compreender as suas potencialidades e como podem ser utilizadas e potenciadas. Um dos principais constrangimentos é a falta “de cultura marítima” que Portugal continua a demonstrar. Ora, a Escola pode ser uma estrutura de suporte (parte integrante do tal cluster do Mar) que combata e inverta essa tendência. Sendo que, o Mar, por outro lado, enquanto instrumento, pode e deve ser potenciador da rotura no processo pedagógico. Isto porque o Mar sempre exigiu pensamento prospetivo, planeamento, adaptação permanente, etc. que são competências que a Escola deve desenvolver e potenciar. É preciso que o aluno não se limite a decorar e reproduzir “truques”, mas sim que se adapte com sentido crítico…Ou seja, que tenha consciência do que está a fazer, levante hipóteses, faça escolhas, monte estratégias, experimente e analise os resultados das opções feitas e dos processos de implementação utilizados … Talvez assim se consiga mudar a tendência da Madeira ser encarada essencialmente como um local contemplativo (tempo, beleza natural, simpatia das pessoas, segurança). A Madeira tem de ser vivida … havendo por isso que despertar nos turistas (e nos residentes) a “vontade de voltar” para responder aos desafios que ficaram por alcançar/cumprir. A Escola pode e deve ter um papel na construção desses desafios e nessa vontade (necessidade) de criar e responder a desafios. Não é deixar de educar mas fazer uma educação como deve ser. O Mar é uma ferramenta, tal como a Serra, mas ferramenta na caixa não faz obra. Usemos estas ferramentas para produzir no turismo, no processo pedagógico…no futuro. Infelizmente continua a existir uma grande diferença entre o Discurso e o Percurso.
Hélder Lopes Professor universitário