O Serviço Militar Obrigatório no meu tempo durava 16 meses. Marchar, correr, saltar, instrução noturna, semanas de campo, tudo servia para crescer e mudar de vida. Tinha-se por adquirido que toda aquela experiência traria novos hábitos de trabalho, pontualidade, assiduidade e sobretudo o sentido do dever. Passava-se por lá e dava para sempre. Adquiridos os bons hábitos, feita a aprendizagem de muitas outras matérias, somados os anos de experiência, o trabalho com a estrutura e profissão a que nos ligamos para a vida, sentimos que valeu a pena as nossas escolhas. Estamos abertos á transformação, ao futuro, sentimo-nos realizados com os deveres mas também, com os direitos que a nossa atividade laboral nos concede. Eis que, ao longo da nossa vida profissional, surgem vários generais que nos fazem soar alarmes e luzes vermelhas, qual reflexo condicionado de Pavlov, alertando-nos para o facto de estarmos a reviver o Serviço Militar Obrigatório. Estes generais, não sabem marchar, nem correr, nem sobreviveriam a uma semana fora do seu habitat natural. Não conhecem o quartel, nem os soldados, e alguns deles, nem percebem da especialidade, pois não conseguem distinguir um fuzileiro de um para-quedista. Os generais, são impostos pela suprema democracia dos partidos dominantes e sabem ao que vêm. Dirigem, controlam e pressionam as instituições e as pessoas que lá trabalham. Muitos deles, chegam a prejudicar a Missão, e pior do que isso o Espírito de Missão, perturbando a relação entre iguais. Os métodos são radicais, cinzentos, em pirâmide, mesmo que lhe chamem outro nome pomposo. Têm pequenos grupos no terreno, com múltiplos ouvidos, trabalham á boca pequena. Os generais mandam na contrainformação mas não lideram, Os generais mandam na massa humana, mas não têm projeto. Os generais mandam, mas o futuro não lhes pertence. São generais - com medo.

Vítor Sardinha