Sem surpresas o PSD perdeu duma forma clara e inequívoca as eleições para os órgãos autárquicos.

Resultado perfeitamente expectável face às opções políticas tomadas pelo governo que se têm revelado desastrosas e altamente penalizadoras para a maioria dos portugueses.

Na Região, embora o PSD tivesse sido mais votado, o certo é que perdeu sete câmaras que importa reflectir pois neste caso concreto há que entrar em linha de conta com a divisão interna do partido que urge ultrapassar.

Apesar de tratar-se de eleições para os órgãos de governo local, a realidade económica e financeira do país e as consequentes medidas de austeridade severas e desmedidas foram determinantes para este desfecho.

Naturalmente que diversas leituras poderão ser feitas sobre os resultados alcançados consoante a análise que cada um queira fazer.

No entanto, há um indicador que não deve ser desprezado que é o facto dos partidos políticos estarem a perder confiança dos eleitores.

Com efeito, para além da abstenção ter sido muito elevada, 47,4%, o número de votos alcançados pelos independentes, que ganharam 13 câmaras municipais com destaque para a do Porto, é significativo que acrescido do somatório dos votos brancos e nulos, 6,82%, indicia um descontentamento profundo das populações em relação ao comportamento dos partidos que dominam o tecido político português.

Os partidos distanciaram-se das populações não conseguindo dar resposta aos seus anseios e necessidades, optando por servirem as clientelas internas para proveito dos próprios.

Há insensibilidade política, má preparação e formação para o magistério da política. Esta fez-se para servir as pessoas e dar-lhes a verdadeira dimensão humana e social que as caracteriza. Hoje predomina o egoísmo e uma visão ultra economicista que destrói e empobrece as populações.

É evidente que num regime democrático faz todo o sentido a existência de partidos políticos mas estes terão de promover rapidamente uma profunda transformação que permita ir de encontro aos novos tempos e sinais de mudança que se operam a uma velocidade vertiginosa e que valorizem a componente ideológica que sustente a sua existência enquanto partido.

José Manuel Oliveira