“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.” Frase tão certeira, no contexto de um artigo escrito por estas mãos, só mesmo com aspas, estarão os meus pouquíssimos leitores regulares a pensar… Trago esta citação a propósito do Estado Social, que hoje serve para justificar tudo e mais um par de botas, nomeadamente a impossibilidade de alterar seja o que for na nossa sociedade em nome do tal papel Social que tem que ser prestado pelo Estado. Permitam-me um pequeno parêntesis para relembrar que o rendimento dessa entidade que tudo provê, tudo faz e tudo controla provém, maioritariamente, dos impostos que cobra aos seus cidadãos pelo que quanto mais se lhe exigir seja feito, maiores serão os encargos e, consequentemente, mais altos terão que ser esses impostos. Sei que existem alguns doutos economistas com outras teorias, que conseguem elaborar outro tipo de equações envolvendo outras variáveis, normalmente não controláveis pelos próprios e dependentes de vontades alheias, que aliás têm servido de base para os brilhantes resultados que o Portugal democrático tem conseguido atingir mas, voltando à vaca fria e a Darwin, o autor da frase citada, o problema reside exactamente na nossa impressionante resistência à mudança. Temos, hoje, uma população envelhecida, com uma esperança média de vida muito superior, uma baixa taxa de natalidade, uma produção de riqueza altamente condicionada pelos efeitos da globalização, uma muito menor autonomia dos governos nacionais, que dela abdicaram em troca de subsídios. Mas, como o Estado é Social, desculpem mas não podemos mudar nada… Será que ter 308 municípios, cada um com 3 orgãos próprios, não sei quantas juntas de freguesia e mais casas do povo; é Social? Subsidiar ou garantir benefícios fiscais a fundações; é Social? Ter um parlamento que não cumpre a função fiscalizadora a que se destina e que não só absorve uma enormidade de recursos como ainda distribui benesses; é Social? Construir infraestruturas sem qualquer sustentabilidade ou sequer relevância; é Social? Podia continuar mas a ditadura dos caracteres não mo permite. Deve ser tudo muito Social mas, como não sou nem muito forte, nem particularmente inteligente, preferia mudar, nem que seja pela sobrevivência dos meus filhos…
André Barreto