Uma vez que a chave da sede do PSD anda bem guardada, e aparentemente bem vigiada, é provável que nos últimos tempos tenham entrado novas inscrições e desaparecido outras nos ficheiros do partido. Tudo escolhido por um dedo trémulo, claro. Se tivermos em consideração a concorrida votação nas últimas ‘directas’ – faz um ano daqui a 3 semanas – haverá pouco menos de 4 mil militantes habilitados a escolher a próxima liderança do partido. Números demasiado insignificantes para o peso efectivo da influência directa que o PSD tem na dia-a-dia da Madeira. Mas são esses que vão ditar o futuro do partido. A outra leitura destes números é que, afinal, não é assim tão difícil formalizar uma candidatura. Ou um ‘projecto’, que é como já se ouviu dizer, para dar um ar mais sofisticado e nos iludir com inexistentes preocupações de fundo. Na última eleição interna, Jardim precisou de pouco mais de 1.700 votos, para não ser derrubado já do cadeirão. E assim se define uma liderança robusta, sustentada numa diferença de 4 dezenas de votos! Olhando para o futuro próximo do PSD-Madeira, os candidatos à liderança precisam de pouco mais de um centena de assinaturas para arrancar com o processo, e depois contar com 2 mil militantes na hora do voto. E está feito! Actualmente, estão perfilhados apenas dois candidatos assumidos. Deverão aparecer outros, é certo, mas também é certo que alguns dos que se auto-intitulam candidatáveis nunca sairão dessa zona de conforto. Por uma razão muito simples: mesmo sendo poucas as exigências, é sempre necessário mais do que a vintena de abnegados servos que os rodeiam. Se ‘cá fora’ sabemos disto, muito mais cientes estarão os envolvidos. Logo, o que nalguns casos interessa é manterem esta falsa expectativa, como forma de se manterem à tona, para serem lembrados na hora de distribuição das muitas benesses que estas coisas da política sempre deparam. Por isso, o que cada um de nós não deve prescindir – militante ou não – é de saber distinguir o que querem determinadas figuras, com algumas intervenções e estratégias públicas. Ou seja, quem quiser que se candidate. Caso contrário, desampare a loja ou reduza-se aos outros papéis, que também são necessários. Chega de ‘bluf’. De um candidato já sabemos que quer dar prioridade à economia, em particular o turismo, que quer recentrar a política no Parlamento, respeitando-o. O outro já anunciou que se compromete com uma redução do número de deputados, reduzindo também drasticamente o escandaloso ‘jackpot’ partidário. Bons tópicos para início de conversa. E os restantes o que pretendem? Pensar única e exclusivamente num bom cargo pessoal, e insinuar-se a essas mordomias, não creio que seja um bom ‘projecto’.