AAs últimas semanas foram pródigas em notícias provenientes dos Estados Unidos e nenhuma dela augura nada de bom.
A primeira delas dava conta do anúncio do secretário do Tesouro da Administração Obama que a capacidade de financiamento dos EUA termina em meados de Outubro. Ou seja, as medidas que foram tomadas para financiar o governo através de endividamento estão prestes a terminar e, pela primeira vez na sua história, os EUA estão em risco de perder a capacidade de cumprir com as suas obrigações.
Seguiram-se declarações da Reserva Federal a avisar que, perante a ameaça da suspensão da actividade do governo ou de incumprimento da dívida, não pode evitar que consequências terríveis ocorram para a economia.
Posteriormente, veio a confirmar-se o tão mediático “shutdown” que consiste, de grosso modo, no processo de suspensão de serviços públicos federais não essenciais.
Por último, foi emitido um relatório do Departamento do Tesouro norte-americano que alerta para o facto de um impasse no limite da dívida pode conduzir a uma bancarrota, com efeitos catastróficos não só nos mercados financeiros, mas também na criação de emprego, no consumo e no crescimento económico. Perante o relatório, muitos analistas consideram que acontecimentos com a magnitude do final de 2008, ou ainda piores, poderão repetir-se.
Os EUA são um dos maiores motores da economia mundial e a sua entrada em recessão terá repercussões no resto do mundo. Numa altura em que recuperamos da crise de 2008, a ideia de entrar numa crise ainda pior é assustadora. Ficamos à espera que as divergências políticas que conduziram a esta situação sejam resolvidas. No entanto, mesmo que o sejam, ficarão na memória as fragilidades de uma das maiores potências mundiais.
Pedro Nunes