Jorge Martins Sou médico, vivo na Madeira há trinta anos e o Senhor conhece-me. Por isso tomei a liberdade, bem sei que a expressão lhe causa prurido mas, tenha paciência, já demos como dizia o outro, de lhe escrever intitulando-a em “estrangeiro” numa língua que V. Exa. domina mas que, curiosamente, basta ir almoçar ou jantar a um restaurante desta terra, o que cada vez se torna mais difícil aos que os sustentavam, até os que viviam e vivem à mesa do orçamento regional os frequentam com menos frequência escolhendo os pratos do dia, bebendo, menos e agora uísques jovens, fumando cigarrilhas em vez de charutos cubanos, enfim a crise, ouvindo os poucos turistas estrangeiros, os mais deles franceses, vendo-se “gregos” com os funcionários completamente iliteratos nesta língua.

Foi exactamente assim que V.Exa. governou a Região Autónoma da Madeira nos últimos 735 anos ( pelo menos parece). O Senhor entende tanto os resultados eleitorais do dia 29 de Setembro como um empregado de uma explanada da Av. Arriaga a quem é pedido um “croque-monsieur”. Ou seja, preparou-se tanto para a “débâcle “como preparou os madeirenses para novos tempos, novos desafios e como é exemplo o antes escrito para outros nichos de negócios nomeadamente no turismo. O Senhor é o primeiro e único responsável pela perda. senão definitiva, certamente por muitos e maus anos da Autonomia que o povo desta terra intuiu, mal, e acreditou, enganado, que V. Exa. seria, não tanto a muralha de aço, mas pelo menos a barreira de vime na sua defesa, o que não aconteceu, tendo-a vendido a pataco para pagamento dos que o sustentaram no poder e agora o abandonam, mais ou menos, sorrateiramente.

Arrogou-se o Senhor, dizem-me, a insultar, convindo que são democratas, os que ganharam de forma absolutamente inequívoca as recentes eleições autárquicas, revelando uma vez mais não ter formação democrática, infelizmente seguido, nalguns casos surpreendentemente, por mais alguns o que revela que porventura V. Exa. se encontra enfermo de algo contagioso.

Tudo mas tudo isto lhe ficou muito mal e, como diria o diácono Remédios, ao que dizem pessoas às quais dá preferencial atenção e ouvidos, não havia necessidade.

Nada tendo feito que contribuísse para a vitória das várias candidaturas que se lhe opuseram nestas ultimas eleições, como seu, sempre leal adversário, contribuí no que me foi possível para que isso, estes resultados acontecessem e daí o, com eles, me rejubilar.

Peço-lhe por isso e como Madeirense adoptivo que reconheça que o seu tempo passou e se demita de imediato do cargo que ocupa.