De manhã, temos aqueles programas do género “Goucha and friends”, com entrevistas, umas duvidosas, outras mesmo suspeitas, entre algumas, poucas, interessantes, mas sempre com muita participação na plateia e fora dela, ávida de notícias, emoções, sabendo mesmo assim, que tudo se resume a muita parra e pouca uva.
Á tarde, são as novelas, em grande parte, as de produção e nacionalidade portuguesa - e não tanto aquelas importadas do Brasil - com alguns cenários interessantes, mas, com histórias inverosímeis e peripécias inadequadas, onde se vê de antemão que tudo circunda á volta de intrigas estéreis, mal amanhadas.
Á noite, são os politólogos - em todas as estações, sem excepção - todos são ex-qualquer coisa,... ex-primeiros ministros, ex-ministros, ex-secretários de estado, ex-professores do ensino superior, ex-desempregados e por aí adiante... disparando opiniões, hipóteses, conceitos, com ópticas visionárias ... dos problemas do País, do Euro, da Europa, do Mundo, da Merckel, do Barroso, do Passos... e sempre a distribuir responsabilidades e principalmente culpas, “práqui e práli”, sobre o estado actual da Nação. Numa Nação, onde o seu Código Penal, num dos seus Artigos, no parágrafo único, lê-se textualmente ... qualquer coisa como: ... um gestor público que lese o Estado, mas que não o faça com intenção, não recai sobre ele, qualquer pena! Fazer certo ou fazer errado, em Portugal, resulta apenas e só, da simples boa ou má escolha da qualidade do executante! E então resumindo, á noite, as emissoras televisivas, são como concursos, para ver quem será, o maior mentiroso nacional! Então, falam muito sobre a culpa do Sócrates... como se na história descritiva por exemplo, dum homicídio com 35 navalhadas, com 12 participantes no acto, aquele que deu a navalhada mais perto do coração é o culpado e o único que queria matar!
De permeio, temos os jogos do futebol, português, inglês, espanhol, italiano, francês, alemão, as taças europeias, tudo sempre com muita Cor, Suspense, Acção e Bons Jogadores - se fosse um anúncio filme seria com, Acção, Suspense e Lindas Mulheres - talvez a hora televisiva, mais procurada pelos homens e mais odiada pelas mulheres.
Mas concentremo-nos na noite televisiva, nas entrevistas, nos comentários, na eloquência e sabedoria dos comentadores e entrevistados - devo perguntar agora: - Onde andavam estes politólogos, nos recentes anos passados? Estariam a fazer “mestrados” sobre matérias ligadas á “Politologia”? De que servem estes “Mestres”, se não melhoram a economia, não diminuem o desemprego nem a emigração?
Os ingleses, como têm muitos politólogos e afins, são muito mais práticos, neste sentido ... disponibilizam uma zona, de grande visibilidade, de excelente localização, com acessibilidade fácil, exactamente numa das esquinas do Hyde Park - para quem não estudou Geografia no Liceu, trata-se dum dos parques mais bonitos e o maior da cidade de Londres - onde autorizam, oferecendo de borla á população, o espaço útil, para poderem falar do que quiserem, ás horas que entenderem, utilizando o tempo que conseguirem comunicar. Brilhante ideia! E assim nasceu a Speakers Corner! Só não me recordo, se na liberdade temática total, se pode incluir insultos à Rainha ou à Casa Real. Penso que há limites estabelecidos! Fica aqui a ideia, que não é nova, é certo, mas pode ser interessante: disponibilizar um espaço, agradável, para quem quiser dizer aquilo que lhe apetecer ... ficamos todos a ganhar, os que falam, os que ouvem ... e ganha o País com a diminuição da poluição televisiva nocturna. Durante o dia, ficamos com aqueles programas habituais ... de cultura duvidosa, mas, de fácil compreensão e digestão!
José Manuel Ramos