
Há oito dias, os madeirenses protagonizaram um dos momentos de maior significado social e político de que esta terra se recorda, depois da Revolução que deu a liberdade e a democracia, levada a cabo por gente corajosa, a 25 de Abril de 1974.
O Povo votou e deixou uma mensagem clara, sem aspas nem metáforas: apresentou um cartão vermelho ao PPD/PSD da Madeira/Partido da Autonomia e ao seu presidente. Cerca de 65% dos madeirenses que votaram – os únicos cuja opinião conta –não votaram no partido que governa a Região desde 1976. Não foi por poucos, foi uma goleada.
E quando se previa que o principal responsável assumisse a derrota e as suas consequências, aconteceu o oposto. A culpa foi distribuída pelos inimigos de sempre, reais e imaginários e como a derrota era de dimensões de terramoto, sobrou pancada para os dirigentes e militantes do partido. Para ele nada.
A reacção é tão surpreendente que obriga a fazer comparações. Imagine-se o que acontecerá se, daqui a quatro anos, o então líder nacional do PS perder 100 das 150 câmaras que conquistou no domingo. Demite-se e nem perde tempo a arrumar a secretária.
Mas no PPD/PSD da Madeira/Partido da Autonomia as coisas são diferentes, mais ao estilo soviético. Não há derrotas, a culpa vem sempre de fora e quando é interna nunca é do líder, do pai dos povos. Sobra para os oficiais subalternos, sargentos e praças.
O processo de expulsões promovido pelo líder, tendo como alvo quem apoiou o seu adversário nas eleições internas, além de vergonhoso e inconcebível em democracia, é mais um serviço, óbvio, aos outros partidos. Quantos mais expulsarem, mais fácil deverá ser a tarefa dos adversários em 2015. Ou antes.
Que do principal promotor desta insanidade não se espera nada, é preciso perguntar, ‘olhos nos olhos’, aos outros dirigentes, sobretudo os que procuram dar uma imagem de mais moderados, se alinham nisto. Se também vestem as fardas soviéticas e avançam para a purga.