Em primeiro lugar começo por dizer que a democracia é o direito que cada um tem de se exprimir e agir de acordo com a sua consciência, associado a um forte sentido de liberdade e respeito por si e pelos outros.
Quando as opções dos outros diferem das nossas, isso não faz dos outros mais idiotas nem de nós mais competentes, ou inteligentes. O direito à diferença é básico e essencial nas pessoas de bem.
Eu tenho uma enorme dificuldade em compreender algumas pessoas que se consideram de tal forma superiores que não conseguem sequer perceber a sua natural insignificância, enquanto seres humanos em evolução. E mais ainda não visualizam que sozinhas, nas suas certezas encapsuladas nos seus umbigos gigantes, não conseguem ver mais do que as palas, que colocam em si próprias, lhes permite alcançar. Digamos que são limitadas por opção.
Opções foram também as do eleitorado que nas últimas eleições deram oportunidade a independentes e a algumas coligações para trabalharem em conjunto para as autarquias ou juntas de freguesia, em prol dos interesses das populações. E se as populações assim o decidiram foi porque quiseram dar um voto de confiança a quem nas campanhas eleitorais prometeu mudança e inovação.
O voto na mudança implica um enorme sentido de responsabilidade de todos os que ganharam a confiança do eleitorado, indivíduos ou grupos, independentemente da cor politica.
A grande mensagem é que as comunidades já estão cansadas de palavras gastas, interesses individuais, guerras políticas e promessas enganosas. Para ganhar a credibilidade e respeito as equipas eleitas vão ter que ser consistentes e verdadeiras.
Chega de mentiras e subterfúgios, a falta de dinheiro público até pode ser facilitadora nesta aproximação dos autarcas às populações. Agora o dinheiro público já não vai mais poder cumprir promessas de campanha. A fonte secou.
É interessante ouvir algumas pessoas com formação e cultura acima da média, dizer que isto ou aquilo nos foi dado pelos governos! Mas os governos não dão nada. Gerem o dinheiro público de acordo com o que consideram fundamental e prioritário para o bem estar das populações.
Um dia destes nas redes sociais falava-se de povo mal-agradecido. Mas o povo tem que agradecer o quê aos seus governantes? O que nós temos é que exigir a todos os que assumem lugares de gestão das funções e dinheiros públicos: honestidade, seriedade, e avaliação clara das necessidades, sem desperdício. Esse é o seu trabalho, ao qual se comprometeram por opção. São funcionários públicos. É que às vezes nos discursos que saem por aí, até parece que os governantes tiram do seu bolso para nos dar presentes comunitários. Pode parecer, mas não é! O que gerem é fruto do trabalho de todos, os que produzem e os que já produziram.
No que se refere às coligações é importante sublinhar alguns aspetos essenciais.
Estar coligado é estar ligado por pontos de contacto para um fim comum. Trabalho em rede de interajuda e colaboração estreita.
Dada a conjuntura política do país, nos últimos anos, o sentido da coligação não tem demonstrado grandes resultados. Veja-se o caso do governo onde a coligação gira mais à volta dos interesses pessoais e partidários do que no interesse real de aproveitar o melhor das partes para o bem comum da sociedade portuguesa.
Assim as coligações que ganharam a confiança do eleitorado têm uma missão de grande responsabilidade: assumir perante as populações que estão juntos pelos interesses das comunidades que integram não se dispersando em confrontos político-partidários, nem em lutas pelos “poderzinhos”. É que disso já toda a gente se fartou.
Assim o eleitorado que elegeu coligações, espera que não se cometam erros conhecidos e que a mudança comece pelo investimento em projetos de interesse público, numa atitude de partilha e coresponsabilidade, que não se altere em momentos em que as bandeiras partidárias sintam necessidade de se exibir à procura de votos em futuras campanhas. Espera-se maturidade. A ver vamos!
Manuela Parente