Severino Olim Foi uma noite de uma verdadeira festa, de muitas lágrimas, abraços, gritos de vitória, sorrisos de felicidade, de muitas caravanas apinhadas de gente e de bandeiras erguidas nas mãos de muitos idosos e nas centenas e centenas de jovens, aquela que se viveu nas ruas da maioria dos concelhos da Região, em 29 de setembro de 2013 . Foram os mais novos a dar os primeiros toques de caixa para essa inacreditável festa que se fez em nome dos valores da liberdade que aos poucos foi crescendo quase por tudo lado, numa perfeita harmonia democrática , onde a força da cidadania e da tolerância falou mais alto que os medos de um regime que acaba por tombar, após um reinado de quarenta anos, como as velhas folhas de um daqueles outonos cinzentos e frios. Vi muitos idosos nas ruas, muitos dos quais com memórias presentes dos horrores do fascismo que, mesmo sem as forças de outros tempos, tomaram as linhas da frente junto dos filhos e netos nessa festa que marcará, sem duvida, o inicio de um tempo novo no relacionamento entre autarcas e munícipes. Assisti a uma noite de glória, a uma noite de verdadeira festa da democracia que se fez desde o Porto Moniz, São Vicente, Santana, Machico, Santa Cruz, Funchal até a ilha do Porto Santo. A norte, foi bem visível esta explosão de alegria, sobretudo, nas freguesias de São Jorge e Boaventura onde os jovens e os idosos desesperam pela chegada da via rápida que, pelos vistos, encalhou em Santana, tornando a ligação destas freguesias à cidade do Funchal e aos hospitais principais da região num tremendo rosário. O tratamento desigual com as população destas freguesias deve-se, a meu ver, à falta nestes últimos tempos de uma oposição forte e credível, de cores diferentes das do governo regional, que pressione e reivindique em prol do desenvolvimento e modernização de infraestruturas e dos serviços públicos destas localidades, sem o terrível medo de perder o tacho e o conforto de diversas mordomias. A partir de agora, as condições políticas para um novo paradigma reivindicativo junto do governo estão criadas restando, principalmente aos novos autarcas do norte essa capacidade interventiva capaz de aproximar os cidadãos da política que humaniza e dignifica essa relação. Não posso terminar esta CL sem reconhecer a elevada maturidade cívica e democrática do povo das freguesias do Caniçal e do Porto da Cruz. Esta maturidade revelada na escolha dos candidatos para liderar os destinos da junta do Porto da Cruz resulta de um programa convincente e de um líder que não permitiria que o único posto de correios com mais de 100 anos de funcionamento fosse encerrado, deixando o centro da vila num maior marasmo do que já era, realidade que afasta e desmotiva qualquer potencial investidor que deseja investir nomeadamente no turismo local. A população acredita que é possível sair desta estagnação, acredita que é possível reinventar um novo rumo para o centro da freguesia com uma autarquia de proximidade. A festa da democracia daquela noite inesquecível de 29 setembro na cidade de Machico não seria a mesma coisa sem a coragem e sem o respirar da cultura democrática do povo do Porto da Cruz.