Virgílio Pereira Haverá alguém neste País que, com sinceridade, afirme que é possível sanear as finanças e a sua economia sem se aplicarem políticas de austeridade?
O problema é encontrar um Governo que observe uma austeridade graduada, cujos sacrifícios e privações, solicitadas aos contribuintes sejam rigorosamente equitativos e não exija aos Portugueses, na sua grande maioria, um sofrimento atroz.
Subscrevo muitas das queixas feitas pelo movimento “Que se lixe a Troika”, bem como concordo com a utilidade democrática dos movimentos políticos, liderados por cidadãos “independentes” e que nas eleições autárquicas concorreram com listas presididas também por “independentes”, ainda que, por exemplo, Rui Moreira, no Porto, seja considerado um caso emblemático desta última tendência, mas tenha usufruído no terreno de fortes ajudas do CDS/PP e do CDS e, recentemente tenha feito uma coligação com o PS.
Tenho fortes dúvidas de que esses movimentos se venham a comportar de forma diferente dos partidos tradicionais. Na política eles têm necessidade de constituir as suas lideranças e uma orgânica interna, se quiserem conseguir disciplina e espírito de unidade, com o fim das suas acções terem consequências democráticas úteis para os Portugueses.
Tomando em conta que o País desde há vinte anos, pelo menos, não produz riqueza suficiente para custear as suas despesas, tendo, por isso, recorrido aos empréstimos financeiros e depois à troika para os poder pagar e continua no mesmo e mau equilíbrio financeiro, temo que se rompermos abruptamente com a troika, quem se vai lixar é a maioria esmagadora dos Portugueses, porque não acredito que alguém nos queira emprestar dinheiro depois. Aí o flagelo do desemprego e todas as outras desgraças que sofremos agora agravar-se-ão desmesuradamente.
Os partidos tradicionais têm de se reformular imprescindivelmente. Esse trabalho já devia ter sido feito ontem. Esse é o único caminho para reaver a confiança dos cidadãos e se isso não acontecer, os anarcas, a extrema direita e a extrema esquerda e os que suspiram pela velha ditadura vão sair fortemente beneficiados com todo o prejuízo que isso há-de acarretar para a Democracia.
Porém, toda essa problemática não dispensa que os verdadeiros democratas tenham de se concentrar na acção patriótica de exigir a este ou qualquer outro Governo que seja justo, racional e humano na distribuição de sacrifícios pelos contribuintes, respeitando integralmente o princípio da equidade, que sejam efectivamente necessários para o cumprimento do ajustamento verdadeiro de que o País precisa, sem cair na aplicação generalizada das políticas violentas.