Um grande número de madeirenses está a experimentar, directa ou indirectamente, uma nova forma cívica de participar na vida das instituições públicas, designadamente nas que têm um cariz marcadamente político. Com os resultados eleitorais de 29 de Setembro, não foram apenas umas câmaras que deixaram de ser do PSD e passaram a ter outras cores políticas. A mudança empreendida é muito mais profunda do que a simples aritmética dos partidos. Com os resultados eleitorais, que pecam por tardios para a ‘saúde democrática’ da nossa Região, não vieram apenas novos protagonistas para diversos órgãos autárquicos na Madeira. Não há quem não tenha notado que as pessoas precisavam de uma mudança e, consumado ‘abalo sísmico’ de grau 7, foi ver muita gente a soltar o que esteve atrofiado durante demasiado tempo. Passada essa euforia, feitos os ajustes de contas por que tanto ansiavam, agora há que conscientemente descer à realidade. Ou, melhor dizendo, subir à normalidade. Que nunca tivemos. Nunca mais há-de ser ‘estranho’ ou ‘incómodo’ ter uma opinião diferente. E poder transmiti-la, defendê-la, sem que olhares reprovadores e ameaçadores nos intimidem. Vai levar algum tempo até que ‘isto’ deixe de ser uma coisa estranhamente anormal, para ser aquilo que propalávamos e não tínhamos: democracia. Depois, e não será preciso esperar muito tempo, teremos outro ‘choque’ para digerir. Aqui e ali, com este e com aquele, os munícipes terão de perceber que uma coisa é a campanha, outra a gestão efectiva da coisa municipal. E que nem sempre será possível manter a harmonia política, sobretudo quando confrontada com decisões que são necessárias. Como atrás ficou escrito, perdemos muito tempo e é certo que já devíamos estar noutro patamar da convivência democrática. Os desafios que aí vêm implicam uma aprendizagem rápida para os novos autarcas e para os munícipes, seja qual for a cor política de uns e de outros. Não há nada a temer. Apenas precisamos de mentalidade aberta.