Depois do Santa Maria, foi Jesus quem deitou por terra as aspirações do Nacional em vencer e assim “matar o borrego” da Luz. A equipa madeirense, como se sabe, estava a fazer um campeonato acima da média, mas vinha de uma derrota pesarosa ante um adversário de nível inferior e isso deixou marcas. Pese embora pairasse na cabeça dos atletas o desejo de devolver o orgulho à massa associativa, todos sabiam que este não era o jogo mais fácil para atingir esse desiderato. Jogar em casa de um candidato ao título, onde só por duas vezes empatou e ainda por cima no longínquo ano de 2008, era naturalmente tarefa difícil. Mais para mais que o Benfica tinha motivos “extra” para a partida. Em primeiro lugar, porque jogavam antes do clássico “Porto-Sporting” e ganhando, podiam assistir de sofá a um possível encurtar de distâncias para o primeiro lugar. E depois, porque o clube lisboeta festejava os 10 anos de Estádio da Luz, inaugurado num jogo com o Nacional…de Montevideu. Um dia marcante, que só poderia ser vivido com uma vitória. Mas, na verdade, o Nacional jogou “olhos nos olhos” com o Benfica e acabou por perder os três pontos em disputa, devido à mais-valia do adversário que soube gerir a partida. As entradas, nas duas partes da partida, foram determinantes para o desfecho final. Tudo correu bem à equipa de Jorge Jesus. Jogando qb, cedo marcou e arrumou o jogo nos primeiros minutos da 2ª parte. E, sem margens para dúvidas, garantiu uma vitória justa. Manuel Machado foi igual a si próprio e foi à Luz disputar os três pontos. Apostou na equipa que tem vindo a ganhar e apenas teve de fazer uma alteração, devido à ausência forçada de Zainadine Júnior. O moçambicano, que curiosamente, tem sido uma espécie de “talismã” para a equipa. É que sempre que foi titular, a equipa ganhou. Coincidências à parte, a verdade é que Zainadine garante uma maior consistência ao sector mais recuado do Nacional. A derrota ficou em termos desportivos, mas a vitória ficou num simples gesto que só está ao alcance de grandes Homens. Manuel Machado mostrou a sua grandeza, a sua formação e educação ao cumprimentar Jorge Jesus. Um gesto de homem com “H”, que escasseia no mundo do futebol e que merece ser realçado e registado. Um exemplo, num país cada vez mais pobre em valores. Por fim enaltecer o facto de, pelo Nacional, terem jogado naquele mítico Estádio dois jogadores que à bem pouco tempo tiveram passagem pelos Juniores do Nacional. Jota e Lucas são marcas do bom trabalho que se fez no Nacional. Apenas espero que esse trabalho tenha continuidade, dando condições aos mais jovens de evoluírem e chegarem ao topo do futebol português. Porque, FORMAR é também uma obrigação dos clubes. Agora, e depois das duas derrotas consecutivas, presume-se que adeptos e, sobretudo, os jogadores, “desceram à terra” e se fixem na união e determinação para voltarem às vitórias, já no próximo fim-de-semana, ante o Olhanense.

Miguel Guarda