Porque não copiamos esses outros, sobretudo os melhores, vendo o que fazem eles com as suas estratégias? “Retomar uma trajectória de crescimento sustentado que torne Portugal, no horizonte de 2015, num dos países mais competitivos e atractivos da União Europeia, num quadro de elevado nível de desenvolvimento económico, social e ambiental e de responsabilidade social”. Este era (e ainda é?) o desígnio integrador da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS) para Portugal, aprovada em 2006, e publicada em Agosto de 2007. Ainda segundo a mesma, a ENDS, que levou 4 anos a ser preparada, foi o resultado de um grande esforço, boas vontades e conjugação de uma profunda reflexão que considerou a Estratégia Europeia, o Programa de Governo de então, bem como os planos e programas de acção dele decorrentes. E de todos os que se seguiram e não foram poucos. Até porque a ENDS também é o nosso cartão de visita no cenário europeu e mundial das questões do desenvolvimento. Um breve olhar para o desígnio acima relembrado não nos provoca mais do que um sorriso hesitante entre o tom anedótico ou a procura de uma razão para aquilo que, uma vez mais, parece ser, esse sim, um verdadeiro desígnio português. Somos aturados e exaustivos na formulação de programas e visões estratégicas mas, negligentes e absurdamente irresponsáveis quanto ao seu cumprimento. E temos um descaramento absoluto que se constata pela insistência em manter viva uma figura politica, jurídica e programática que nos deveria merecer mais respeito como é o caso da ENDS. Uma Estratégia Nacional, seja relativa a que sector de actividade se destine, deve ser, por definição, algo abrangente, mobilizador e credível, passível de melhoria, correcção ou até revogação, quando não seja capaz de cumprir o papel que lhe está destinado. E é o caso da ENDS, que deveria servir de farol no campo das politicas ambientais, sociais e económicas, num nível mais elevado e integrador do que as acções que cada governo ou circunstância conjuntural possam, natural e democraticamente, ir ajustando e determinando quanto ao ritmo de concretização, satisfazendo assim as justas escolhas que os sufrágios eleitorais vão determinando. Quando se vota não se muda de país, de região ou localidade, mesmo que o calor e entusiasmo da vitória assim o possam dar a entender. Onde falhamos afinal? À primeira vista , em Portugal, as estratégias, por definição, estão votadas ao fracasso, ao abandono e à orfandade. Ninguém quer saber delas, depois de aprovadas, ninguém aceita nelas inscrever responsabilidades, compromissos, mecanismos de avaliação e monitorização. A única questão que incomoda, parece ser a da obrigação de se ter que as elaborar, até porque não faltam, a todo momento, os que denunciam a sua necessidade e ausência. Após o exercício requintado e sempre pós-moderno (lá nisso ninguém nos bate), logo voltamos ao de sempre. Não se cumpriu, não se avaliou, não se monitorizou, não se responsabilizou e, daqui a nada, lá teremos que fazer outra, que nos coloque no mapa dos que as fazem, dos que assinam, dos que não falham nada do que seja exigido pelos outros. E porque não copiamos esses outros, sobretudo os melhores, vendo o que fazem eles com as suas estratégias? Talvez seja tempo de nos revermos no cansaço desse exercício de criar o que não vamos dar seguimento. Não porque não seja necessário ter uma estratégia mas, antes, porque tendo-a, não sabemos o que fazer dela. Incompetência ou negligência, eis a questão. António Domingos Abreu

Porque não copiamos esses outros, sobretudo os melhores, vendo o que fazem eles com as suas estratégias?

“Retomar uma trajectória de crescimento sustentado que torne Portugal, no horizonte de 2015, num dos países mais competitivos e atractivos da União Europeia, num quadro de elevado nível de desenvolvimento económico, social e ambiental e de responsabilidade social”. Este era (e ainda é?) o desígnio integrador da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS) para Portugal, aprovada em 2006, e publicada em Agosto de 2007. Ainda segundo a mesma, a ENDS, que levou 4 anos a ser preparada, foi o resultado de um grande esforço, boas vontades e conjugação de uma profunda reflexão que considerou a Estratégia Europeia, o Programa de Governo de então, bem como os planos e programas de acção dele decorrentes. E de todos os que se seguiram e não foram poucos. Até porque a ENDS também é o nosso cartão de visita no cenário europeu e mundial das questões do desenvolvimento. Um breve olhar para o desígnio acima relembrado não nos provoca mais do que um sorriso hesitante entre o tom anedótico ou a procura de uma razão para aquilo que, uma vez mais, parece ser, esse sim, um verdadeiro desígnio português. Somos aturados e exaustivos na formulação de programas e visões estratégicas mas, negligentes e absurdamente irresponsáveis quanto ao seu cumprimento. E temos um descaramento absoluto que se constata pela insistência em manter viva uma figura politica, jurídica e programática que nos deveria merecer mais respeito como é o caso da ENDS. Uma Estratégia Nacional, seja relativa a que sector de actividade se destine, deve ser, por definição, algo abrangente, mobilizador e credível, passível de melhoria, correcção ou até revogação, quando não seja capaz de cumprir o papel que lhe está destinado. E é o caso da ENDS, que deveria servir de farol no campo das politicas ambientais, sociais e económicas, num nível mais elevado e integrador do que as acções que cada governo ou circunstância conjuntural possam, natural e democraticamente, ir ajustando e determinando quanto ao ritmo de concretização, satisfazendo assim as justas escolhas que os sufrágios eleitorais vão determinando. Quando se vota não se muda de país, de região ou localidade, mesmo que o calor e entusiasmo da vitória assim o possam dar a entender. Onde falhamos afinal? À primeira vista , em Portugal, as estratégias, por definição, estão votadas ao fracasso, ao abandono e à orfandade. Ninguém quer saber delas, depois de aprovadas, ninguém aceita nelas inscrever responsabilidades, compromissos, mecanismos de avaliação e monitorização. A única questão que incomoda, parece ser a da obrigação de se ter que as elaborar, até porque não faltam, a todo momento, os que denunciam a sua necessidade e ausência. Após o exercício requintado e sempre pós-moderno (lá nisso ninguém nos bate), logo voltamos ao de sempre. Não se cumpriu, não se avaliou, não se monitorizou, não se responsabilizou e, daqui a nada, lá teremos que fazer outra, que nos coloque no mapa dos que as fazem, dos que assinam, dos que não falham nada do que seja exigido pelos outros. E porque não copiamos esses outros, sobretudo os melhores, vendo o que fazem eles com as suas estratégias? Talvez seja tempo de nos revermos no cansaço desse exercício de criar o que não vamos dar seguimento. Não porque não seja necessário ter uma estratégia mas, antes, porque tendo-a, não sabemos o que fazer dela. Incompetência ou negligência, eis a questão.

António Domingos Abreu