Confesso. Estou oficialmente muito preocupado. Mais do que alguma vez estive desde que Pedro Martins assumiu o leme da equipa. E são várias as razões para a minha preocupação, infelizmente todas visíveis no jogo frente ao Estoril, que resultou na quinta derrota da temporada, a quarta consecutiva e a segunda em casa. A começar com as exibições da equipa. Este Marítimo está física e mentalmente desgastado, sem fio de jogo, sem ideias e sem um processo de jogo consolidado. É constante o pontapé para a frente e é ainda mais gritante a ineficácia defensiva e a incapacidade de pressionar o adversário. E trata-se de uma situação que é agravada por este ciclo negativo de derrotas na Liga que o Marítimo atravessa e que vai influenciado negativamente todo o plantel. Este momento mau tem a ‘virtude’ de trazer ao de cima um mar de fragilidades do plantel que, ano após ano, tem vindo a perder as suas mais-valias, apesar de colmatado aqui e ali pela juventude vinda da equipa secundária do clube. A equipa está deficitária nas alas defensivas (não vou repetir outra vez o que eu acho dos laterais do Marítimo) e no miolo do terreno, onde não existe alguém capaz de reter a bola, fazer a transição e pensar o jogo ofensivo do Marítimo. Aqui há, naturalmente, responsabilidades repartidas. Se podemos apontar algumas insistências incompreensíveis e já comprovadamente erradas ao Pedro Martins – ainda neste jogo é, para mim, incompreensível jogar toda a segunda parte com apenas dois homens no meio terreno – não deixa de ser pertinente apontar e realçar toda a ginástica que o nosso treinador tem sido obrigado a fazer para conseguir apresentar um onze que mantenha os níveis competitivos necessários aos objetivos propostos. Mas, ponderados todos estes factores, é indiscutível que esta equipa pode e deve jogar mais. Ainda no jogo frente ao Estoril, mesmo contando com (mais) uma arbitragem ardilosa de Carlos Xistra (a expulsão do Weeks é, no mínimo, discutível), o Estoril foi sempre melhor que o Marítimo que nunca, em momento algum, assumiu o jogo e, particularmente na segunda parte, foi vendo a canarinha jogar a seu belo prazer. Mas mesmo jogando com um jogador a menos, tal não justifica que a equipa não fosse capaz de ter a bola ou produzir um melhor comportamento defensivo e, em alguns momentos, até ofensivo. O reflexo disto tudo é uma situação que à oitava jornada empurra a equipa para os últimos lugares da tabela e, até ver, sem grande luz à vista. Tenho pena que esta situação surja precisamente no momento em que o Pedro Martins se torna o treinador com mais partidas consecutivas pelo Marítimo, em todas as provas oficiais. São 122 jogos, ultrapassando o registo de Nelo Vingada (1998 a 2003), e com um saldo francamente positivo, atendendo a todas as conhecidas condicionantes. E é indiscutível que o técnico maritimista tem sido um dos principais responsáveis pelo que de positivo esta equipa alcançou nos últimos três anos, mesmo perante a forte redução no investimento na equipa e a constante saída de peças fulcrais. Nas suas declarações Pedro Martins admitiu colocar o seu lugar à disposição. Pois meu caro Pedro, eu acho que não o deve fazer. Encare isto como um voto de confiança da minha parte, pois eu acredito que tem o talento, a capacidade e a inteligência para dar a volta a este momento que, não há como esconder, é muito mau. Há momentos na vida onde é preciso mudar e sair da nossa zona de conforto. Este é um desses momentos e não podemos atirar a toalha ao tapete. Há várias situações negativas que já estão por demais sinalizadas. Começar por corrigi-las é o primeiro passo para a vitória que irá mudar o percurso cinzento do Marítimo esta temporada.

Luís Miguel Rosa