Só que o povo está farto. Não percebeu? O caos vai instalar-se mas será no PSD Perdeu-se a conta do número de vezes que Alberto João Jardim garantiu que não se recandidata a novo mandato. Pensou-se que o enfarte de miocárdio – coisa que pode, infelizmente, acontecer a qualquer um - seria a justificação para uma reforma definitiva. Não foi. Pelo caminho nomeou e despromoveu sucessores. Criou uma casta fiel que durante três décadas e meia disse sim a tudo. Havia dinheiro e poder. Jardim era o semi-deus. Ajudou a alimentar novos ricos que o idolatraram. Mas a situação esgotou-se. Anunciou a sua saída em 2015 passando a pasta do governo ao novo lider por si escolhido após as diretas de dezembro de 2014 e prometeu reabrir a “caça às bruxas” (expulsões). Mas uma coisa é o que Jardim quer, outra o que o partido deseja. O dinheiro desapareceu. As obras públicas estagnaram. E não há nada para distribuir. Nos últimos 6 anos, o PSD/M perdeu 25 mil votos, 12 freguesias e 7 autarquias, tornando-se em termos municipais (nº de câmaras) num partido minoritário. A angústia passa agora para as eleições legislativas regionais de 2015...ou, se calhar, pelas antecipadas, quemsabe? Algo mudou. E se Alberto João Jardim pensa fazer guerra aos municípios que perdeu, está enganado. O povo não vai aceitar. Acenda o rastilho e verá a bomba que lhe cai nas mãos. O voto na oposição é tão válido quanto o voto no PSD. E nada de birras. O “comboiozinho a pilhas” já não é seu. Todos já perceberam, menos o senhor da Quinta Vigia, que acha que manda e desmanda mas os anos 80/90 foram-se. Percorri os 7 concelhos e a radiografia é clara. Há um corte com o passado. Um corte assumido sem medo. Perdeu-se definitivamente a convição de que só o PSD era/é capaz de governar. Todos agora têm opinião, menos os militantes do PSD/M. Engraçado, não é? “Nós montámos-lhes o cerco, fomos apertando e eles nem se aperceberam. Achavam que era tudo deles, enganaram-se. Acabou-se-lhes a arrogância”. Esta imagem do “cerco” nunca me teria passado pela cabeça. Afinal, “não conheciam os madeirenses. A gente atura tudo, até um dia”. Pois. E basta ir à História da Madeira. Para além da arrogância e da prepotência há dois outros indicadores. Mexeram na questão da água, sobretudo de rega. Há realmente uma revolta da população contra os acordos leoninos assinados pelos municipios e a ARM (Agua e Residuos Sólidos da Madeira, SA), Machico e Santana são disso exemplo vivo. E tenham juizo porque a tropa da ilha revolta-se quanto o assunto é água. O mesmo acontece com o transporte de doentes em carrinhas de uma empresa privada, serviço “roubado aos bombeiros” como dizem. É desumano que alguém fique 4 ou 5 horas ou mais à espera depois de uma sessão de quimioterapia, hemodiálise ou de uma alta hospitalar para regressar a casa. O governo e o PSD/M continuam a tratar as coisas com os pés. E quem deu os votos, tira-os. Sobre a crise interna no PSD/M estou convicta que a máxima “depois de mim, o caos” vai acontecer. Problema do PSD. E não me admira nada que a jogada passe pela farsazinha do ex-lider da JSD, agora deputado independente. Uma moçãozinho de confiança ao parlamento para ser deliberadamente chumbada e fazer cair o governo (é uma questão de contas na bancada PSD +independente laranja) provocando, assim, eleições antecipadas. Que tal? Parece um cenário absurdo mas, no fundo, acredito que Jardim prefere ver a oposição na Quinta Vigia do que Miguel Albuquerque, ou outro nome fora da sua lista de escolhas, sentado na sua cadeira. Não faz parte do seu ADN entregar o poder a quem o quer, mas sim a quem ele quer, mesmo que o chamem “caudillo”. Só que o povo está farto. Não percebeu? O caos vai instalara-se mas será no PSD. Lília Bernardes Jornalista do DN de Lisboa, na Madeira

Só que o povo está farto. Não percebeu? O caos vai instalar-se mas será no PSD

Perdeu-se a conta do número de vezes que Alberto João Jardim garantiu que não se recandidata a novo mandato. Pensou-se que o enfarte de miocárdio – coisa que pode, infelizmente, acontecer a qualquer um - seria a justificação para uma reforma definitiva. Não foi. Pelo caminho nomeou e despromoveu sucessores. Criou uma casta fiel que durante três décadas e meia disse sim a tudo. Havia dinheiro e poder. Jardim era o semi-deus. Ajudou a alimentar novos ricos que o idolatraram. Mas a situação esgotou-se. Anunciou a sua saída em 2015 passando a pasta do governo ao novo lider por si escolhido após as diretas de dezembro de 2014 e prometeu reabrir a “caça às bruxas” (expulsões). Mas uma coisa é o que Jardim quer, outra o que o partido deseja. O dinheiro desapareceu. As obras públicas estagnaram. E não há nada para distribuir. Nos últimos 6 anos, o PSD/M perdeu 25 mil votos, 12 freguesias e 7 autarquias, tornando-se em termos municipais (nº de câmaras) num partido minoritário. A angústia passa agora para as eleições legislativas regionais de 2015...ou, se calhar, pelas antecipadas, quemsabe? Algo mudou. E se Alberto João Jardim pensa fazer guerra aos municípios que perdeu, está enganado. O povo não vai aceitar. Acenda o rastilho e verá a bomba que lhe cai nas mãos. O voto na oposição é tão válido quanto o voto no PSD. E nada de birras. O “comboiozinho a pilhas” já não é seu. Todos já perceberam, menos o senhor da Quinta Vigia, que acha que manda e desmanda mas os anos 80/90 foram-se. Percorri os 7 concelhos e a radiografia é clara. Há um corte com o passado. Um corte assumido sem medo. Perdeu-se definitivamente a convição de que só o PSD era/é capaz de governar. Todos agora têm opinião, menos os militantes do PSD/M. Engraçado, não é? “Nós montámos-lhes o cerco, fomos apertando e eles nem se aperceberam. Achavam que era tudo deles, enganaram-se. Acabou-se-lhes a arrogância”. Esta imagem do “cerco” nunca me teria passado pela cabeça. Afinal, “não conheciam os madeirenses. A gente atura tudo, até um dia”. Pois. E basta ir à História da Madeira. Para além da arrogância e da prepotência há dois outros indicadores. Mexeram na questão da água, sobretudo de rega. Há realmente uma revolta da população contra os acordos leoninos assinados pelos municipios e a ARM (Agua e Residuos Sólidos da Madeira, SA), Machico e Santana são disso exemplo vivo. E tenham juizo porque a tropa da ilha revolta-se quanto o assunto é água. O mesmo acontece com o transporte de doentes em carrinhas de uma empresa privada, serviço “roubado aos bombeiros” como dizem. É desumano que alguém fique 4 ou 5 horas ou mais à espera depois de uma sessão de quimioterapia, hemodiálise ou de uma alta hospitalar para regressar a casa. O governo e o PSD/M continuam a tratar as coisas com os pés. E quem deu os votos, tira-os. Sobre a crise interna no PSD/M estou convicta que a máxima “depois de mim, o caos” vai acontecer. Problema do PSD. E não me admira nada que a jogada passe pela farsazinha do ex-lider da JSD, agora deputado independente. Uma moçãozinho de confiança ao parlamento para ser deliberadamente chumbada e fazer cair o governo (é uma questão de contas na bancada PSD +independente laranja) provocando, assim, eleições antecipadas. Que tal? Parece um cenário absurdo mas, no fundo, acredito que Jardim prefere ver a oposição na Quinta Vigia do que Miguel Albuquerque, ou outro nome fora da sua lista de escolhas, sentado na sua cadeira. Não faz parte do seu ADN entregar o poder a quem o quer, mas sim a quem ele quer, mesmo que o chamem “caudillo”. Só que o povo está farto. Não percebeu? O caos vai instalara-se mas será no PSD.

Lília Bernardes Jornalista do DN de Lisboa, na Madeira