Primeira

O menino mimado. Faz parte das nossas memórias de infância e quando recordada dá sempre direito a gargalhada nos encontros de velhos colegas: o choramingas, mimado, menino do papá, era o cromo por excelência. Um chato que era preciso aturar porque tinha dinheiro, porque o pai era amigo do professor ou era daqueles ‘senhores’ da União Nacional fascista que metiam medo aos nossos pais. Mas era um chato, disso não escapava.

E o chato tinha escrito no seu código genético que não sabia perder. Aliás, nunca perdia, porque se assim fosse levava a bola para casa, chamava o professor e acabava o jogo. O desportivismo não era o seu forte, nem sabia o que isso era.

Triste é quando o chato cresce e não aprende. Pior, o sucesso e o poder agravam a sua deformação de carácter e transforma-se numa coisa intragável. Quando perde… não perde.

Mesmo quando vai a votos e apanha uma banhada de envergonhar o mais descarado… não perde. Usa a sua velha táctica da escola… leva o jardim para casa.

O menino mimado também tinha outra particularidade: quando exagerava, o que era quase sempre, acabava apanhando uns tabefes, ou pior. E nem o professor o salvava.

Segunda

Rui Barreto foi suspenso por cinco meses do seu partido, por ter votado contra a aberração que é o Orçamento de Estado em vigor. Fê-lo em consciência e justificando a confiança dos que, por cá, confiaram em si. Assume as consequências, o que só o prestigia. O partido, ao nível nacional, também não podia fazer outra coisa.

Um episódio que mostra que a Constituição tem algumas coisas para rever. Desde logo, a proibição de partidos regionais. Uma aberração, uma estupidez jurídica que deveria ser corrigida.

Na Europa, todos os países regionalizados têm partidos regionais. Só Portugal, que também não conseguiu aprovar uma regionalização óbvia – na Madeira o sentido de voto foi vergonhosamente egoísta -, mantém uma proibição anedótica. Só pode ser por medo.

Terceira

Deveria ser a primeira nota. Hoje jogam o meu FCP e o Sporting, muito bem orientado pelo madeirense Leonardo Jardim. Um momento de festa, num País que já ultrapassou, há muito, o seu plafond de tristezas. Que seja um bom jogo. Pelo menos isso.