Tudo o que seja métodos opressivos e alienantes devem ser banidos Conta quem viu e ouviu o seguinte. Em um dos cenáculos do espírito, que de espiritual parecem ter apenas o nome, está com meia casa neste dia. As pessoas rezam em alta voz, levantam os braços, batem palmas e contorcem o corpo em êxtase, sob o discurso exaltado do pastor com palavras fortes sobre Deus e Jesus, pronunciado com a doçura do português do Brasil. Este dado é muito importante para o sucesso logo à partida. Os gestos desinibidos e exuberantes da assembleia impressionam todas estas pessoas nascidas e criadas no seio católico, mas agora desiludidas com a proposta católica. Antes, nas missas, provavelmente, escandalizavam-se com algumas palmas tímidas que nalgum momento a celebração em festa proporcionava. Também se mexiam e remexiam porque as missas eram demoradas. As pregações, um aborrecimento. O padre, um insensível. Agora nada cansa, mesmo que seja tudo longo e fortes as pregações. Quando não há firmeza e alicerces seguros facilmente se vacila. Daí que dê para a manipulação e uma pregação bem estudada com as palavras-chave e doces, facilmente canalize para os intentos materialistas que se pretende atingir. Quando o momento se propicia, quem dirige o encontro, conduz o rebanho para o onde interessa mesmo. Após a pregação sobre as forças do mal, os perigos desta vida, os vícios que sempre perseguem a humanidade, os diabos à solta por todo o lado, a libertação das doenças, as curas à mistura com os milagres e os apelos à conversão do caminho do álcool, da droga e de todas coisas deste mundo que causam desgraças. Coisas todas boas, ainda mais se não esquecermos que à mistura o nome de Deus e de Jesus são pronunciados dezenas ou centenas de vezes juntamente com o grito do «Aleluia, Jesus, Aleluia». Como vemos e como dizem tantas pessoas que por lá andam, «qual o mal se falam de Nosso Senhor». O esquema está bem montado ao ponto de induzir as pessoas ao reconhecimento das pouco inocentes ações que abençoam tudo com a água benta - que seguramente vem do rio Jordão - no meio de tantos mecanismos que há muito tempo deixaram de ser uso na Igreja Católica. Porém, como não há «almoços grátis», chega a hora da conta. Na ocasião da conta, apela-se a quem pode dar 500 Euros, levantam-se alguns, a seguir foram chamados o grupo dos 200 Euros, mais alguns em maior número, depois os de 100 Euros a seguir os de 50, até 5 Euros. O certo é que todos contribuíram sem pestanejar e ainda ficou tempo para dizer que quem não tinha dinheiro consigo, mas se tivesse cartão multibanco ou de crédito podia fazer o seu contributo, porque lá estava a um canto a máquina multibanco. Assim mesmo, eficaz e trigo limpo. O que pensar disto face às esmolas que os fiéis oferecem voluntariamente de acordo com o seu querer e as suas possibilidades sem nenhuma pressão nas Igrejas Católicas? Todos os movimentos religiosos têm direito à existência e mais razão haverá para esta pluralidade religiosa se nos revemos na sociedade regida pela Constituição que prevê a existência de todos os movimentos religiosos desde que não estejam contra a legalidade em vigor. Porém, abrimos espaço à reflexão no sentido em que nem tudo o que é legal, mesmo que revestido da mais pura religiosidade, nem sempre é moral e ético. A manipulação e lavagem cerebral deviam ser crime. A alienação, a perda da vontade própria e a inconsciência dos gestos pessoais quando incentivados por pessoas ou grupos religiosos ou não, deviam ser crime e a lei devia ser implacável com estas práticas. A religião se não liberta não serve para nada. Tudo o que seja métodos opressivos e alienantes devem ser banidos e reprimidos pelo crivo da lei. Parece que estamos perante uma situação muito difícil de controlar, porque, nem o Estado tem meios para tal nem a sociedade está desperta e educada para fazer a verdadeira destrinça. Resta então cada pessoa aprender a conviver com tudo o que nos é oferecido. Da mesma forma que aprendemos a conviver com ladrões e burlões, também devemos aprender a estar na sociedade com tudo o que vai aparecendo e só acolher o que nos interessa e faz bem. Tudo o que aliene, tudo o que inferiorize a vontade própria e prive da liberdade deve ser repudiado e na nossa vida não deve entrar. José Luís Rodrigues

Tudo o que seja métodos opressivos e alienantes devem ser banidos

Conta quem viu e ouviu o seguinte. Em um dos cenáculos do espírito, que de espiritual parecem ter apenas o nome, está com meia casa neste dia. As pessoas rezam em alta voz, levantam os braços, batem palmas e contorcem o corpo em êxtase, sob o discurso exaltado do pastor com palavras fortes sobre Deus e Jesus, pronunciado com a doçura do português do Brasil. Este dado é muito importante para o sucesso logo à partida. Os gestos desinibidos e exuberantes da assembleia impressionam todas estas pessoas nascidas e criadas no seio católico, mas agora desiludidas com a proposta católica. Antes, nas missas, provavelmente, escandalizavam-se com algumas palmas tímidas que nalgum momento a celebração em festa proporcionava. Também se mexiam e remexiam porque as missas eram demoradas. As pregações, um aborrecimento. O padre, um insensível. Agora nada cansa, mesmo que seja tudo longo e fortes as pregações. Quando não há firmeza e alicerces seguros facilmente se vacila. Daí que dê para a manipulação e uma pregação bem estudada com as palavras-chave e doces, facilmente canalize para os intentos materialistas que se pretende atingir. Quando o momento se propicia, quem dirige o encontro, conduz o rebanho para o onde interessa mesmo. Após a pregação sobre as forças do mal, os perigos desta vida, os vícios que sempre perseguem a humanidade, os diabos à solta por todo o lado, a libertação das doenças, as curas à mistura com os milagres e os apelos à conversão do caminho do álcool, da droga e de todas coisas deste mundo que causam desgraças. Coisas todas boas, ainda mais se não esquecermos que à mistura o nome de Deus e de Jesus são pronunciados dezenas ou centenas de vezes juntamente com o grito do «Aleluia, Jesus, Aleluia». Como vemos e como dizem tantas pessoas que por lá andam, «qual o mal se falam de Nosso Senhor». O esquema está bem montado ao ponto de induzir as pessoas ao reconhecimento das pouco inocentes ações que abençoam tudo com a água benta - que seguramente vem do rio Jordão - no meio de tantos mecanismos que há muito tempo deixaram de ser uso na Igreja Católica. Porém, como não há «almoços grátis», chega a hora da conta. Na ocasião da conta, apela-se a quem pode dar 500 Euros, levantam-se alguns, a seguir foram chamados o grupo dos 200 Euros, mais alguns em maior número, depois os de 100 Euros a seguir os de 50, até 5 Euros. O certo é que todos contribuíram sem pestanejar e ainda ficou tempo para dizer que quem não tinha dinheiro consigo, mas se tivesse cartão multibanco ou de crédito podia fazer o seu contributo, porque lá estava a um canto a máquina multibanco. Assim mesmo, eficaz e trigo limpo. O que pensar disto face às esmolas que os fiéis oferecem voluntariamente de acordo com o seu querer e as suas possibilidades sem nenhuma pressão nas Igrejas Católicas? Todos os movimentos religiosos têm direito à existência e mais razão haverá para esta pluralidade religiosa se nos revemos na sociedade regida pela Constituição que prevê a existência de todos os movimentos religiosos desde que não estejam contra a legalidade em vigor. Porém, abrimos espaço à reflexão no sentido em que nem tudo o que é legal, mesmo que revestido da mais pura religiosidade, nem sempre é moral e ético. A manipulação e lavagem cerebral deviam ser crime. A alienação, a perda da vontade própria e a inconsciência dos gestos pessoais quando incentivados por pessoas ou grupos religiosos ou não, deviam ser crime e a lei devia ser implacável com estas práticas. A religião se não liberta não serve para nada. Tudo o que seja métodos opressivos e alienantes devem ser banidos e reprimidos pelo crivo da lei. Parece que estamos perante uma situação muito difícil de controlar, porque, nem o Estado tem meios para tal nem a sociedade está desperta e educada para fazer a verdadeira destrinça. Resta então cada pessoa aprender a conviver com tudo o que nos é oferecido. Da mesma forma que aprendemos a conviver com ladrões e burlões, também devemos aprender a estar na sociedade com tudo o que vai aparecendo e só acolher o que nos interessa e faz bem. Tudo o que aliene, tudo o que inferiorize a vontade própria e prive da liberdade deve ser repudiado e na nossa vida não deve entrar.

José Luís Rodrigues