Sérgio Abreu Em tempo útil, com quem de direito, preparei a ida do meu amigo, António Navarro – utilizador de uma cadeira de rodas -, para assistir à tomada de posse da Assembleia Municipal, dos Vereadores e do novo Presidente da Câmara, no pretérito dia 21 de Outubro. E qual foi a surpresa? Nos Paços do Concelho não existem mecanismos de mobilidade para os cidadãos com dificuldade motora: o elevador (tipo plataforma, fixo às escadas) tem limitação de peso e muitas cadeiras de rodas não cabem na sua base. Em resumo: é mais um elemento decorativo, muito pouco funcional, já que o António Navarro foi obrigado a “assistir” à cerimónia, no átrio do edifício - situado no rés-do-chão -, quando a cerimónia decorreu no primeiro andar. No final da tomada de posse, o novo Presidente, com quem estabeleceu uma enorme empatia, veio propositadamente, cumprimentá-lo. Os Munícipes que desejem dirigir-se à Divisão de Trânsito e a outros departamentos camarários, em edifícios circundantes da Autarquia, estão impossibilitados de usufruir destes serviços, quando é um seu direito, consagrado na Lei, e reconhecido por todos nós. Por outro lado, na maioria das Juntas de Freguesia, este problema, castrador da mobilidade destes cidadãos, repito: de pleno direito, também se verifica, como, por exemplo, na Junta de Freguesia do Imaculado Coração de Maria. Durante a campanha eleitoral, um Senhor, Presidente de uma Associação, indignou-se com a pertinente chamada de atenção para estas brutais dificuldades de mobilidade, por parte do novo Presidente da Câmara Municipal do Funchal, emitindo um comunicado com uma linguagem que repudiava, veementemente, este alerta. Após a campanha eleitoral, chegou o momento de perguntar: o que fizeram nesta matéria, durante estes últimos anos? A Autarquia da capital de uma Região Autónoma, andou distraída? As Associações de defesa dos deficientes, que têm uma enorme cobertura na comunicação social, estão distraídas? Os comentários, livres, e sem amarras, deixo-os a todos vós… Tenhamos vergonha, por ainda existirem situações deste desrespeito pelo cidadão e pela Lei! A todos estes cidadãos, resta-me apresentar-lhes sinceras desculpas, por se verificarem, ainda, estes obstáculos à cidadania.