Nunca como agora o Mar esteve em evidência, e a sua discussão, contempla atualmente uma dimensão que vai muito para além da visão clássica que guardamos no nosso âmago, das conquistas quinhentistas, e das visões líricas que o Mar é a eterna Terra Prometida, prancha de salvação para um país hoje despojado de ritmo de crescimento e com uma necessidade gritante de se recolocar na senda do desenvolvimento.
A Vela, onde tenho aplicado a minha quota de tempo associativo, é o filho pródigo entre dois dos Elementos: Água e o Ar, entenda-se, Mar e Vento.
Mas contrariamente ao que seria de esperar, esta prática é profundamente condicionada por outros fatores que nada têm a ver com os naturais. O Arquipélago da Madeira, possui condições ímpares para a prática da Vela, em todas as suas vertentes, quer de lazer quer de competição, quer por residentes, quer por passantes, contribuindo para a economia real, seja na captação de eventos, cujo efeito é direto no turismo e na promoção do destino através de canais privilegiados, seja na chamada indústria da vela, com as reparações e manutenções, seja ainda no investimento direto estrangeiro de longo prazo, através da fixação de estrangeiros e das suas embarcações.
Este potencial único é tanto mais evidente, pela nossa posição geográfica, situada na rota de passagem de milhares (!) de embarcações que anualmente nos trocam pelas Canárias e pelos Açores, e que rumariam para cá, se encontrassem condições tidas como básicas para potenciar este gigantesco mercado, que nos arriscamos a capitalizar, fazendo apenas alguns ajustes de pormenor, ao nível das acessibilidades marítimas, da desburocratização e da harmonização fiscal.
Há por isso que assumir um compromisso, de demonstrar este potencial, a extrair do nosso maior, já pronto e pago campo desportivo, que teimosamente tem sido negligenciado mas que agora parece arribar a bons ventos.
Sérgio Jesus