O novo programa-quadro de apoio à investigação e inovação, Horizon 2020, proposto pela Comissão Europeia, reforça a estratégia de conduzir a Europa à liderança industrial em matéria de inovação. Em particular, neste programa-quadro existe uma clara determinação em apoiar as PMEs que sejam inovadoras e tenham a ambição de crescer e de se internacionalizar. É sabido que um consórcio para ser bem-sucedido nos concursos que serão lançados, deverá incluir parceiros empresariais e não somente universidades, centros e laboratórios de investigação. A relação entre as empresas e as universidades torna-se assim um aspeto crucial na obtenção de fundos de investigação e força a necessidade da existência de parcerias estratégicas entre estas entidades.
As parcerias entre as empresas e as universidades são, todavia, mais difíceis de criar e manter do que se possa imaginar. Desde logo, existe a dificuldade em distinguir a investigação da inovação e de perceber que nem toda a investigação conduz à inovação e, obviamente, que nem toda a inovação é resultado de investigação. Mas no que aqui importa considerar, muitas vezes quem produz investigação encara as relações com as empresas numa perspetiva unidirecional de transferência de conhecimento e tecnologia, ignorando que esta relação deverá estar assente numa perspetiva bidirecional de transferência de valor. A criação de produtos ou serviços que não acrescente valor do ponto de vista de negócio não é a inovação que as empresas necessitam e procuram, por muita produção científica que tenha ocorrido. Assim, conseguir conciliar uma perspetiva de investigação com uma perspetiva de negócio é um aspeto fundamental das parcerias que são necessárias desenvolver, exigindo de todas as partes uma nova forma de estar na investigação e nos negócios.
Como afirmou Peter Drucker, as empresas que estão a fazer negócio hoje de mesma forma que o faziam ontem, correm sérios riscos de não estarem a fazer negócio amanhã. Na verdade, todos nós conseguimos facilmente identificar exemplos de empresas onde tal ocorreu e, numa análise cuidada, verificamos que dificilmente se consegue justificar unicamente por razões conjunturais. A capacidade de inovar é reconhecidamente um dos fatores determinantes no futuro de muitas empresas que atuem em mercados concorrenciais. As PMEs, pela sua natureza, não conseguem criar núcleos de investigação e desenvolvimento capazes de suportar as suas necessidades de inovação, tendo de atuar em parceria com as instituições que o fazem. A existência de uma universidade é um fator de competitividade para as empresas que desenvolvem a sua atividade na região onde ela está inserida, mas esta mais-valia só é efetiva se existirem fortes ligações de colaboração entre estas entidades.
A estratégia preconizada pelo programa-quadro Horizon 2020 reconhece e apoia este tipo de colaborações, constituindo uma oportunidade imperdível para as empresas da Região Autónoma da Madeira e para a sua Universidade. * Pró-reitor da Universidade da Madeira
Leonel Nóbrega