Sérgio Potier Muitos economistas e outros opinadores (e hoje mais do que nunca) invocam como estímulo à economia, já que, os portugueses estão exacerbados em impostos (redução de salários, aumentos de impostos directos e indirectos...) uma baixa dos mesmos, colocando desta forma mais moeda em circulação. Vejamos um exemplo mal sucedido.

Em Dezembro de 1974, jantavam num restaurante nos EUA dois quadros republicanos que tiveram um grande futuro (Dick Cheney e Donald Rumesfeld) na administração Bush, entre 2000 e 2008. Tema do jantar: como apagar o caso Watergate, o escândalo que forçou Nixon a demitir-se em Agosto de 1974, e que fez correr o risco do Parido Republicano ser condenado a longos anos de oposição. Nessa refeição estava também presente Arthur Laffer, o economista que teorizou o conceito de taxa óptima de imposto que defende uma baixa generalizada de impostos, e que assim se obterá um reforço do crescimento e, portanto, um acréscimo das receitas, e, por fim, uma maior caoacidade de despesa. Para explicar o paradoxo, traça sobre a toalha de papel do restaurante aquilo que se tornará a CURVA DE LAFFER. em 1978, redige um texto votado em referendo pelos californianos (falava em estímulos à economia) que prevê uma redução de 30% do imposto sobre imóveis. É o começo da redução de impostos nos EUA.

Em 1981, Laffer torna-se conselheiro de Ronald Reagan e insta-o a reduzir bastante os impostos. Resultado: as baixas de impostos ex-ante são significativas, mas as receitas fiscais ex-post não vão ao encontro do previsto, de tal modo que o défice orçamental dispara fortemente. O vice-presidente à época é George Bush (Pai). Assustado com o caminho que o défice está a levar, tenta convencer Reagan a voltar atrás e dar sinais de maior moderação, mas Laffer mantém o seu ponto de vista. Só quando Bill Clinton foi eleito conseguiu um excedente orçamental. Portanto, a teoria de Laffer, como dizia alguém, tem qualquer coisa de irresistível.

Mas a prática esbarra com uma dificuldade: ninguém conseguiu ainda determinar claramente a taxa de imposto óptima.

Eu próprio sinto-me revoltado com tanta desgraça e miséria que vejo à minha volta. Mas o problema é que a população rejubila com as baixas de impostos, e se estes, pelos vistos, não aumentam o crescimento de um país, pelo menos aumentam de certeza a popularidade de quem as consente e a impopularidade de quem não as consente.