Durante a recente cimeira ibero-americana, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, discursou sobre os resultados do estreitamento das relações entre o seu país e Portugal.

Citava a propósito as empresas colombianas que agora operam em Portugal e vice-versa, bem como o afluxo de turistas nos dois sentidos. Mas também – e é esse o aspecto que aqui hoje gostaria de trazer – o facto de “Portugal ser um dos principais pólos de treino e preparação de alguns dos melhores futebolistas colombianos”.

Vindo de quem viesse, seria sempre importante este reconhecimento internacional sobre a qualidade do nosso treino e, por inerência, dos nossos treinadores. Mas quando estas palavras são proferidas por um “chefe de estado” a sua dimensão deverá ser devidamente sublinhada e amplificada.

Até porque não estamos a falar da “preparação” de futebolistas de “segundo plano”, como demonstra o Ranking da FIFA onde a Colômbia ocupa actualmente a quarta posição. E, ao contrário de nós, já está apurada para o Mundial 2014 e será até mesmo um dos cabeças-de-série do respectivo sorteio.

É por isso que considero o discurso do presidente Santos como contendo uma mensagem que não deveria passar despercebida (como me parece ter acontecido) na nossa comunicação social (sobretudo a especializada).

É que a ideia de que os nossos clubes possuem um conjunto de condições excelentes para a “preparação de futebolistas de elite”, parece-me hoje cada vez mais clara nos contactos internacionais que vou mantendo.

O elogio da forma como descobrimos os talentos e como os desenvolvemos para o mais alto patamar da competição futebolística, é hoje um traço comum a muitas das nossas conversas com treinadores e dirigentes dos mais diversos países.

E, claro, é o reconhecimento da forma “diferente” como o treinador português olha o jogo e o respectivo processo de treino.

O que só deveria aumentar a nossa confiança, mas também o desejo de não esmorecer este trajecto que há algumas décadas foi iniciado…

Nelson Caldeira