Costuma-se dizer que quem conta um conto acrescenta um ponto. Este dito antigo deve ser interpretado, para quem escreve publicamente, como um compromisso de transmitir algo de novo e interessante à nossa sociedade, principalmente quando a desigualdade social e a instabilidade familiar aumentam de dia para dia.
A Tatiana Correia foi minha aluna no ano letivo transato e vive na Ponta do Pargo. Tem paralisia Cerebral (Tetraparésia e Diplégia) e por isso na escola usava um computador adaptado e uma cadeira eléctrica e apesar de tudo isto era uma jovem sempre disponível para a vida e com legitimas ambições. Preocupada com os seus resultados académicos mostrava-se sempre muito empenhada nas tarefas que lhe eram solicitadas nas aulas. Ao contrário da maioria dos seus colegas sonhava tirar um curso superior na área da informática, pois como a própria reconhecia sem a ajuda do computador ficaria muito limitada.
No final do último ano letivo esta aluna ficou sem ir à escola durante algumas semanas, devido à falta do transporte escolar que diariamente a auxiliava dada a necessidade de usufruir duma carrinha adaptada.
Neste ano letivo e até este momento a Tatiana não regressou à escola...
Há muito tempo que penso nesta aluna e fico aflita pelo facto de ninguém, de direito, resolver esta situação. Mesmo sabendo que poderei ferir algumas sensibilidades, esta triste realidade envolve muitas pessoas e instituições responsáveis por esta situação. No entanto como professora e como cidadã não posso ficar indiferente a esta grande injustiça social que normalmente acontece com frequência aos mais fracos e desprotegidos da nossa sociedade.
Aproveito este espaço de opinião para alertar e pedir às devidas instituições que façam o melhor por esta adolescente.
Por fim as minhas últimas palavras vão para a Tatiana Correia, que neste momento deverá estar entre as paredes do vazio e as janelas do sonho, uma palavra de consolo da sua sempre amiga professora que nunca te esquecerá quer pela tua determinação quer pela tua vontade de lutar.
Patrícia Sumares