Índice Mo Ibrahim Acaba de ser publicado o Índice Mo Ibrahim de Governação Africana de 2012, que avalia fatores como a educação, saúde, segurança, direitos humanos, desenvolvimento e economia de 52 países. Cabo Verde, arquipélago da Macaronésia (assim como Açores, Madeira e Canárias), continua a ser o melhor país lusófono na Boa Governação em África, depois das ilhas Maurícias e do Botsuana, somando 76,7 pontos, num total de 100, e ficando em terceiro lugar na classificação. Este seleto grupo dos primeiros cinco é completado pelas ilhas Seicheles e África do Sul, enquanto no fim da tabela estão a Somália, República Democrática do Congo, Eritreia, República Centro-Africana e Chade. Pelo que se conhece de Cabo Verde, a chave deste relativo sucesso tem sido a Boa Governação e a Educação.
O vaticínio de Shiller Tudo muda, e por inexorável dialética, tudo se transforma e se reconfigura. O ciclo da alternância é princípio basilar para o sistema democrático. É preciso dar novas respostas aos novos tempos. Assim, sabe-se que, na sequência das últimas eleições autárquicas portuguesas, nada ficou como dantes. Na ilha da Madeira, também um novo figurino e quiçá uma nova largada. Neste período a que, noblesse oblige, reputamos por «estado de graça», mister seria que os novos titulares, fazendo jus a Robert Shiller (um dos três galardoados com o Nobel de Economia 2013), assumissem «ajudar as pessoas a encontrar um propósito social mais amplo no sistema económico», reduzindo desigualdades sociais, não só trabalhando com todos, mas também insistindo na Boa Governação, afinal o grande recurso anti-cíclico. Insiste-se que «só com as boas práticas», usando com parcimónia os recursos públicos e dialogando com todos os parceiros (inclusive opositores), há condições para atrair investimentos e empreendimentos, condição essencial para o retorno da ilha à dinâmica económica.
Retoma económica Há sinais, ainda tímidos, mas claros, de que as reformas macroeconómicas começam a produzir efeitos positivos. Entrementes, não é tempo de complacência em relação à consolidação orçamental, processo, vagaroso e penoso socialmente, por todos os países e em quaisquer tempos. O importante, ao meu modesto ver, seria substituir a austeridade pura e dura pela contenção parcimoniosa, não perigando à exaustão a qualidade de vida das pessoas, na medida em que a retração do consumo, ao invés de resolver, acentua a crise. E aqui, retomando a questão da Boa Governação, importaria chamar a atenção para o nível e a qualidade do investimento público na Educação, tanto a pública, como a privada, sendo ambas importantes. Os investimentos no setor educativo são 6% do PIB na Dinamarca, 7,6% na Noruega e 7,5% na Islândia, só para citar três casos, não sendo por acaso o avanço estratégico de tais paises e a sustentabilidade do futuro neles garantida.
Lusofonia em retoma Em toda a CPLP, precisamos renovar as nossas ofertas e inovar as nossas abordagens, com mais e melhores investimentos. Temos de ser capazes de melhorar sensivelmente o desempenho dos nossos alunos, em todos os níveis de ensino, partindo da premissa de que há ligação direta entre o nível de investimento, a qualidade da educação e o desenvolvimento dos nossos países. Deste modo, uma atenção especial às escolas que ousam na abordagem pedagógica e na actualizaçao ao mundo global, sendo certo ser a qualidade do investimento e não a sua quantidade o busílis da questão. Boa Governação e Educação, não mais… * Filósofo e escritor, conselheiro do Primeiro Ministro de Cabo Verde
Filinto Elísio