O Orçamento de Estado para 2014 (OE2014) é a prova de que o Governo não aprendeu com os seus próprios erros e teima em insistir numa política de esbulho aos bolsos dos contribuintes e dos trabalhadores, retirando apoios sociais aos reformados, pensionistas, doentes, desempregados e aos pobres. O OE2014 cava mais fundo o buraco onde nos estão a meter. Trata-se uma política de empobrecimento dos portugueses e do País, de uma agenda ideológica que não esconde, neste OE2014, as políticas injustas e erradas anteriores e reforça a fúria no ataque à função pública e ao Estado Social. Este Orçamento lança mais austeridade sobre a austeridade, confirmando a agenda ideológica de direita com os ataques perpetrados aos trabalhadores e ao fator trabalho, o fator mais importante para o crescimento económico e sem o qual não haverá uma solução para os problemas da consolidação orçamental e do desemprego. Castigar a dignidade do trabalho é a ideia central das políticas do Governo, isto é, mais cortes salariais e mais precariedade social e laboral para limitar a liberdade dos trabalhadores e tratá-los como se fossem coisas que se vendem e/ou estão à venda, tornando-os escravos da oligarquia dos especuladores financeiros. Quanto à Região, o EO2014 inflige uma dupla austeridade aos madeirenses e aos porto-santenses, que, além de acarretarem com as medidas para todo o País, ainda sofrem cortes orçamentais na ordem dos 50 milhões de euros.
Jacinto Serrão