Filipe Passos No meio do laranjal O silêncio é sepulcral Depois da monumental cabazada Numa direita desorientada Acabaram-se, por fim, os tempos de festival E dos mandos e desmandos do Governo Regional Na Câmara do Funchal Pois os restos do vento estival Varreram já no Outono o eixo do mal Na urna, o povo fez-lhes o “funeral” Atribuindo aos homens a pena capital Fazendo pagar esses tartufos Que alternavam o poder entre amigos e bufos A política é um jogo geralmente fatal Algumas vezes em cima, muitas outras no Pantanal A arrogância é uma arma mais letal Do que uma bomba de napalm E o Jardim nessa imutável voz De traço forte, rude e atroz Envolta num manto de tristeza Mas sempre com insulto à portuguesa Denota no discurso um sal de saudade De quando vencia com facilidade Mas, longe já vão os tempos dos onze a zero Com o incondicional apoio do clero Uma força livre e conjunta sem tiros Apareceu e exorcizou com os vampiros Dos corredores do poder Esta enorme fúria de vencer Entre vozes discordantes a crescer Levou a uma mudança Que lindo é ver um cravo nas mãos de uma criança Esta mudança que lavou a alma da gente Esta mudança que no ar já se sente O passado é lastro do futuro Na Câmara do Funchal, asseguro Como já não haverão mais ladrões no escuro