‘O Governo do Povo, pelo Povo e para o Povo’, foi assim que, no célebre discurso de Gettysburg, Abraham Lincoln definiu a democracia e o exercício dos poderes públicos. Não deve ser possível uma definição mais acertada. Talvez o grito de ordem de 1974, ‘O Povo é quem mais ordena’ esteja ao mesmo nível de clareza.

Democracia é mesmo isso: o Povo decide e ordena aos seus eleitos o que pretende que seja feito. Aos visados só resta cumprir as ordens de uma autoridade superior. A mais alta de todas em democracia.

E a 29 de Setembro o Povo desta terra deu uma ordem, clara e sem aspas, aos seus eleitos. Bem mais de dois terços da população da Madeira decidiu que queria mudar a governação autárquica. A totalidade dos eleitores que foram votar – os únicos cuja opinião interessa - indicou aqueles que pretendia ver nos lugares de decisão e a quem vai exigir o cumprimento de promessas, independentemente dos partidos, coligações ou grupos de cidadãos a que pertença.

O Povo desta terra também deixou uma directiva clara a quem detém outros poderes, como o Governo Regional, de que pretende que sejam estes, os eleitos de 29 de Setembro, a governar os municípios. É a estes que terá de ser dado todo o apoio, por ordem de um Povo que não admitirá desobediências.

As ameaças veladas e anti-democráticas que foram proferidas, logo na noite das eleições, deixando no ar a possibilidade de boicote aos eleitos que representam mais de três quartos dos madeirenses – a população de sete concelhos -, é uma desobediência que em democracia deve obrigar a sanções pesadas e irreversíveis.

Dentro de dias, tomam posse os onze presidentes de câmara, os presidentes de junta e deputados municipais e é com estes, independentemente de toda a azia que possam ter, que os detentores dos outros poderes, Governo e Assembleia, estão obrigados a conviver. Por ordem do Povo.