Deolinda Como profissional de saúde do SESARAM já há bastantes anos, não posso deixar de me sentir profundamente revoltada com a decadência da qualidade da prestação dos cuidados aos nossos doentes. Quer pela falta grave de recursos humanos, quer pela falta de materiais. Acho ainda mais revoltante a farsa dos responsáveis da instituição ao afirmarem que tudo está bem!!! Ou pela falta de interesse dos senhores dos media em apurar a verdade dos factos!!! Como profissional, naturalmente não identificada, desta casa, é com muito pesar que afirmo que actualmente tenho medo de vir a necessitar, como doente, de quaisquer cuidados de saúde por parte do SESARAM. Mas vamos objectivar, na esperança de que V.ªs Ex.ªs tenham porventura interesse em investigar um pouco mais... Em muitos Serviços (incluindo Cuidados Intensivos) a falta de recursos humanos traduz-se em baixar o número de enfermeiros abaixo do limiar do aceitável pelas normas internacionais ou em obrigar os enfermeiros, contra vontade, a fazer turnos extras por 1,2 euros/hora. As retaliações e ameaças esperam os menos cooperantes... Aos doentes está reservado o retrocesso, em cerca de 20 anos, nos cuidados prestados, com sondas de aspiração contadas, luvas esterilizadas em constante ruptura ou incapacidade em medir o débito urinário horário por falta de material, lençóis contados, banhos à espera de material e tanto mais... Ohhh e os fármacos! É melhor nem ir por aí! Camas desactivadas por equipamentos avariados, cuja manutenção não foi paga e sem resolução à vista. Constante falhas no sistema informático, com exames que demoram 5-10 minutos a poderem ser visualizados (quando o são...). Elevadores constantemente avariados ou, quando funcionam, com esperas pelo elevador de 40 minutos por parte dos doentes e da equipa que o acompanha. Apenas a ponta do iceberg! Se ao menos existisse a vontade da parte de V.ªs Ex.ªs em praticar um pouco do “jornalismo de investigação” tão proclamado... Enfim, posso apenas esperar, revoltada!