No lugar sagrado, na casa feita de aurora, na casa feita de crepúsculo, na casa feita de nuvem sombria, na casa feita de bruma e chuva, de gafanhotos, de pólen, onde a negra bruma cerra a entrada - senha aonde o arco-íris leva - onde os raios rasgam o alto, ó viril divindade! Vem até nós com os teus mocassins de nuvens negra com calças e camisa e cabeleira de nuvens negras com o pensamento envolto com o sombrio trovão por cima, vem voando até nós com a nuvem formada aos pés com a obscuridade formada pela nuvem negra que está sobre a tua cabeça com os raios cruzados ribombando ao alto sobre a cabeça com o arco-íris suspenso ao alto sobre a cabeça, voando vem até nós com a obscuridade formada nas asas por nuvens negras com a longínqua formada na ponta das asas por chuva e bruma com os raios cruzados, com o arco-íris suspenso ao alto sobre a ponta das asas com a obscuridade da terra.

Que flutue a espuma à tona da água sobre as raízes do trigo alto. Em tua honra preparei um fogo que fumega, em tua honra consumei o sacrifício. Oh! Aquece-me o corpo, os membros, o espírito, a voz. Afasta o encantamento, aquece-me, favorece-me, afasta o Encantamento. Arrancaste-o de mim, levaste-o para longe, para longe de mim. E agora curo-me, recupero a força, recupero a frescura, a frescura sobe-me à cabeça com a força. Movo-me com movimentos novos, ouço com ouvidos novos, olho com olhos novos. Caminho, livre do tormento caminho, com uma luz no coração caminho, felizmente caminho. Quero a abundância de nuvens sombrias, quero a abundância de erva, abundância de pólen, abundância de orvalho.

Que venha comigo até aos confins da terra o belo fermento branco, Que venham até aos confins da terra o belo fermento amarelo, o belo fermento azul, o belo fermento de todas as espécies, as plantas de todas as espécies, os bens de todas as espécies, as jóias de todas as espécies, que venham contigo até aos confins da terra.

Que venham contigo à frente, atrás, por baixo, por cima ,á volta, que venham contigo à frente até aos confins da terra. Que consume a obra. Avanço dentro da beleza, com a beleza à minha frente, sim, avanço, com a beleza por trás das minhas costas, sim, eu avanço, com a beleza por cima de mim e à minha volta, sim, eu avanço.

Em plena beleza tudo se consuma, sim, tudo se consuma, sim, eu Avanço.

Renata Camacho