Cláudio Pestana Arrisco-me a afirmar que a diferença nestas eleições foi o medo. O medo domina-nos por completo, atrapalha-nos os sentidos e deixa-nos num estado de “autismo” como afirma Malcolm Gladwell em Blink. O medo sofreu uma substancial e notória alteração, talvez pela primeira vez na história eleitoral da Madeira, esse sentimento deixou de estar na oposição e de dominar os cidadãos e passou para o lado mais improvável, passou para o lado do exército de pequenos ditadores que passaram uma vida a perseguir os cidadãos, a oposição e mesmo uns aos outros. O medo tomou conta das hostes laranja que inclusivamente intensificaram as ameaças em Santa Cruz, em São Vicente e até mesmo aos seus próprios companheiros de partido. Tomou conta do “eterno líder” que com receio de perder para a oposição começou a disparar em todos os sentidos, para a oposição, para os cidadãos, para os militantes e inclusivamente candidatos do PSD. O medo era notório nos textos, nas palavras, nos olhos, nas reacções de quem defendia as cores laranja. O objectivo principal, a meta por assim dizer, nesta eleições nunca foi o de ganhar mas sim o de não perder o que curiosamente sempre dominou a oposição na Madeira. Mas então ganhar e não perder não significam a mesma coisa? Não, ganhar é uma coisa, não perder é outra. Querer ganhar é focar os objectivos num caminho com um propósito, é pensar os passos sempre sem esquecer a finalidade, e ser consequente. Não perder é focar-se na “não derrota”, é delinear a estratégia estando sempre ciente que a derrota é possível caso contrario ela nem estaria lá, é estar descoordenado entre processo e finalidade, é manter sempre o olho no adversário ao invés de analisar cuidadosamente os seus próprios passos, é ficar nervoso com o aproximar da hora fatídica, é desconfortável e aterrador, é dúvida em constante presença. O copo está meio cheio ou meio vazio? Para eles sempre esteve meio vazio pois apesar das notórias derrapagens ainda havia algo no seu controle, ainda que cada vez menos.