João Barreto No rescaldo do recente terramoto eleitoral é muito divertido observar o que vai por aí em toda a Madeira, desde as cidades ( a velha e as novas) até ao sítio mais recôndito: muitos tentam recolher os louros da vitória (mesmo que, borrados de medo, não tenham mexido uma palha ou sequer se dado ao trabalho de ir votar); outros, apressam-se a achar bodes expiatórios da derrota, de preferência longe da sua esfera de acção; alguns apossam-se dos méritos alheios e querem extrapolar de fenómenos locais para futuros actos eleitorais.

Em primeiro lugar, deve dar-se o seu a seu dono: as vitórias (em todas as autarquias) são dos que deram a cara pelos respectivos partidos ou movimentos. O primeiro mito que caiu com estas eleições foi o de que havia um senhor que fazia eleger um burro de saias desde que indicado por ele.

Nenhum autarca eleito (nem mesmo os do PSD) deve nada ao senhor da Quinta Vigia ou aos seus comissários políticos. Eleitos pelo povo, só ao povo devem fidelidade.

O segundo mito que se pulverizou foi o de que só nos partidos estava a organização e os meios necessários para alcançar a vitória. Provaram-no os independentes de São Vicente e de Santa Cruz. E não venham, agora, os partidos que, face à sua presença no terreno, se abstiveram de correr, querer colher os frutos de um sucesso que não lhes pertence.

Aliás, será bastante interessante verificar a disposição das forças no terreno nas próximas eleições regionais, num quadro que AJJ (forçado a eliminar os barões locais do seu partido) transformou em círculo único. As europeias não contam quesão apenas para iluminados e as nacionais esperemos que venham longe. A esta distância e independentemente de antecipações mais ou menos estratégicas, corro o risco de antecipar que o independente que ensaiar um apoio declarado a uma força partidária se poderá sujeitar a uma vergonhosa derrota, a menos que integre um amplo e vigoroso movimento político regional disposto a pôr fim ao regime político que nos vem oprimindo desde 1978.

Aliás, os últimos resultados eleitorais, ao contrário do que se infere do triunfalismo bacoco do Sr. Freitas, se representam o princípio do fim do jardinismo, não representam o início da hegemonia do PS. Ainda há muita água para correr debaixo das pontes, muito delfim para sair borda fora, muita punhalada para penetrar nas costas dos socialistas locais e, até, muitas traições a correr entre as pedras sólidas da muralha do Sr. Rodrigues.

“Wait and see”, como diriam os ingleses!