Virgílio Higinio Gonçalves Pereira 52,34% dos eleitores de 29 de Setembro passado abstiveram-se ou votaram nulo ou branco. Uma parte muito significativa deles, teve essa atitude, como protesto contra as políticas de austeridade brutal a que têm sido sujeitos, desde que Portugal teve de pedir ajuda financeira à troika.
A nível nacional a situação não foi muito diferente, os rostos dessas políticas e de outros governantes, responsáveis por elas, o PSD e os seus apoiantes são os alvos da indignação, saturação e revolta dos cidadãos atingidos. Há sempre quem escape a estas graves dificuldades! Era e é frequente, principalmente de 2011 para cá, ouvir por todo o lado invetivas contra o Dr. Passos Coelho e o Dr. Alberto João Jardim, em consequência de lhes atribuírem a culpa da péssima situação em que vivemos. As dissidências internas no meu partido, o PSD/M, contribuíram também para esse comportamento em relação ao Dr. Alberto João Jardim.
Além de variadas razões que possam ter pesado na criação desta crise em que vivemos, não esquecendo os estilos pessoais de fazer política, e de desgaste da figura do Dr. Alberto João, que a grande longevidade no exercício de governação provocou, julgo que é injusta a afirmação daqueles que os consideram os únicos culpados.
Em proporções diferentes, têm culpa deste estado a que chegamos, esses governantes e os governantes anteriores, como também a maioria dos portugueses e das suas organizações políticas, empresariais e até do Ensino Superior, assim como ainda as entidades bancárias e até as entidades da União Europeia.
Isto não é querer derramar o “mal pelas aldeias” para branquear a culpabilidade, seja de quem for.
Para além de tudo isso, é fácil constatar que Portugal, com o acordo que fez com a troika para poder financiar-se, perdeu quase toda a independência e a Região viu esvair-se a sua autonomia.
Quanto ao resultado das eleições autárquicas é normal, em democracia, em que um dos pilares fundamentais é a alternância de poder. O povo decidiu-se nesse sentido. Respeitemos a sua vontade, sem a mínima hesitação.
Analisando estes resultados deduz-se que a regeneração dos partidos é imprescindível. Os eleitores mostraram, em grande parte, que não acreditam nos políticos e nos seus partidos. Assusta-me que a maioria dos políticos com responsabilidades governativas e/ou partidárias, assim como ilustres comentadores políticos, não valorizem esta questão fundamental para a sustentabilidade da democracia em todo o nosso País. Pelo menos, não o fazem publicamente.
A globalização implica uma prestação política adequada e significativamente mutante que estimule essa credibilidade do povo.
Não há democracia sem partidos, ainda que ela não se esgote neles e nem sequer nas eleições. O escrutínio regular e frequente dos atos de governação é uma exigência da democracia dos nossos dias.
Querer alterar o estilo de governação implica muito mais do que somente proferir promessas palavrosas.