Esta terça-feira fui averiguar uma denúncia sobre animais que estão a cargo do governo regional e alegadamente a morrer à fome. Desloquei-me ao local. Queimadas, 16h, perto da casa do Governo, desconhecia mas lá nos deparámos, a 5 minutos, com o que parece ser uma pequena exploração pecuária com 32 porcos montêses, dos quais vários subnutridos. O esclarecimento vai ser pedido de forma oficial, mas fiquei intrigado quanto ao propósito de haver um local destes a cargo do governo, não seria com certeza para o turista ver, pois as condições oferecidas a animais e turistas são degradantes, pelo menos aos meus olhos. Podem os meus olhos serem algo exigentes… Não muito longe desta exploração tínhamos passado por um campo de macieiras e pereiras, decidimos ver se havia fruta no chão, havia quilos! Em braços e panos levamo-las a eles que se refastelaram com o que acreditávamos ser a primeira experiência do sabor da maça e da pêra, que por sinal eram muito boas, doces!

Na descida para Santana abrandamos junto a uma outra exploração do governo regional, identificada como sendo de ovinicultura. Passou-me pela ideia a similitude que estas culturas de porcos e ovelhas têm com a própria cultura ou cultivação de humanos produzidos em larga escala para executar tarefas repetitivas, amarrados a dívidas e às regras societais modernistas, a viverem na ignorância a ilusão da liberdade. Aqui eu também me incluo, mas gostava de pensar que fosse com menor intensidade. Gostava que os ventos de mudança trouxessem, para além de um abrandar do ritmo frenético exterior, também trouxessem consigo um olhar mais ético e compassivo sobre os animais e uma tranquilidade às nossas mentes.

Rui Almeida