Depois da jornada terceira, quando empatamos em casa frente ao Olhanense, na análise que fiz ao rendimento de alguns dos jogadores, estava esperançado que não tivesse que a repetir, até porque é cada vez mais claro para todos que há coisas que não vale a pena insistir!! Esta partida com o Paços de Ferreira era uma óptima oportunidade para somar 3 pontos para não só afastar o péssimo jogo de Belém, mas também para mantermo-nos em plena luta ‘europeia’. O adversário, na minha opinião, não podia ser mais acessível. Este Paços nada tem a ver com a equipa que brilhantemente Paulo Fonseca levou ao 3º lugar do campeonato. A formação de Costinha é uma equipa que aposta tudo num estilo vincada e assumidamente ofensivo mas que tem grandes dificuldades no processo defensivo e deixa muito espaço na sua linha mais recuada. Seria portanto uma equipa que encaixaria neste Marítimo. Teoricamente. Não nos podemos queixar da falta de sorte. O jogo começou da melhor maneira possível com um golo madrugador de Derley e aos golos dos “castores” fomos sempre respondendo com golos até ao terceiro empate. Mas a verdade é que nunca tivemos um verdadeiro domínio no jogo. Sem bola, com um meio-campo a ver jogar, pouco ou nada pressionante, era ver a defesa a colocar a bola longa nos corredores, onde Heldon, Artur e Derley tinham as despesas todas do jogo ofensivo, especialmente na primeira parte. Fomos deixando o Paços jogar à vontade e, com tanto desacerto atrás e sem um mínimo apoio da linha média, foi um convite aos visitantes à primeira vitória no campeonato. Não há discussão que o Marítimo necessita vender. É uma contingência que temos que conviver. Porém, na minha opinião, este plantel até me dá mais garantias e soluções que o da época transacta. Derley é a grande figura neste arranque de época, a melhor contratação nos últimos anos. A equipa B continua a fornecer bom material para compor a equipa principal. Porém, insistir em velhas fórmulas que não resultam ou já não resultam, é querer estragar tudo o que de bom já se fez. De uma vez por todas é preciso dar novo fôlego às laterais defensivas. Briguel já não dá nada à equipa e está na altura de dar continuidade a outros jogadores. Gegê, por exemplo, poderia dar outra consistência ao lado direito da defesa. O Ruben está terrível a defender e há que procurar outras soluções até o jogador se restabelecer. João Luiz não é jogador para este Marítimo. Não defende, não ataca, zero! Num local tão vital como o meio-campo, a sua presença é um handicap que a equipa não é capaz de ultrapassar. O Danilo Pereira é um bom jogador mas precisa de ritmo e de alguém ao seu lado que seja capaz de “dar pau”. Está também na altura do Pedro Martins ter um sistema alternativo, sobretudo quando no plantel não há jogadores com características para a táctica utilizada. Não é mera coincidência este Marítimo ter a pior defesa da Liga. Urge corrigir se pretendemos atingir os objectivos. Outro jogo a este nível é inadmissível para uma equipa que se propõe ficar nos lugares cimeiros da Liga. Numa nota mais política, o dia 29 de Setembro marcou uma viragem no espectro político regional. O povo votou e várias décadas depois decidiu mudar a cara e a “cor” dos principais municípios da Região. Há que dar os parabéns aos vencedores, com votos de um bom trabalho, e que a nova oposição seja construtiva, produtiva e colaborante para o bem comum. Mas atenção, não foi por colocar a cruz e o papel na urna que a nossa obrigação, enquanto cidadãos, acabou. Agora, mais que nunca, precisamos de uma cidadania activa, atenta e fiscalizadora dos poderes públicos e das pessoas que o exercem. Porque a responsabilidade não se extingue após o acto eleitoral.

Luís Miguel Rosa Advogado