Esperei até ao último momento, para escorrer estas linhas embriagadas de alguma emoção. O dia 29 de Setembro de 2013 é já um marco histórico na política da Madeira. A hegemonia titânica do regime madeirense finalmente colapsa, após décadas de totalitarismo anacrónico sob a capa da democracia. Pela primeira vez, assisto desde os meus 42 anos à libertação do mapa da Madeira – no contexto da geografia política nacional – como um ex-bastião de Jardim. Um povo “superior” é digno e merecedor da alternância – algo que sempre faltou na Madeira – na equação da democracia e das legítimas aspirações do povo. Os resultados das eleições autárquicas de anteontem, não são APENAS o resultado da contaminação das políticas nacionais do governo da República. São TAMBÉM consequência do desfile de incongruências e de más opções em que o líder madeirense se tem esmerado no seu insaciável culto da personalidade. Se há puritanos que disseram que, José Manuel Coelho ou Gil Canha poderiam contaminar a vitória de Cafôfo, não é menos verdade que a presença de Jardim (mesmo com o “guest-star” Tony Carreira), não abonava Bruno Pereira; assim como a tímida e tardia presença de Albuquerque na candidatura oficial do seu (meio) partido no Funchal. Há madeirenses que já não se seduzem com “circo” ou inaugurações eleitoralistas, mesmo com “boleia oficial” à urna de voto. E agora? A oposição vencedora vai gerir autarquias “insolventes” e o trabalho não se afigura fácil. Mas esta “primavera” madeirense, não se pode transformar em promessas vãs. Para isso já nos bastava a maioria alaranjada que tínhamos. Aos novos autarcas das oposições, apelo: não “nos” desiludam, nem se deixem deslumbrar pela oportunidade de “poder”! O poder musculado deteriorou a confiança, apesar dos patéticos apelos à gratidão – próprios de quem confunde o “serviço”, com carreirismo – daí que a esperança agora acalentada, tem de ser consequente.
Donato Macedo Lic. Comunicação