A Europa discute um segundo “resgate” para Portugal. Somos aos olhos da Europa – perdão, da Alemanha – pobres. E porquê? Porque o nosso défice está alguns pontos percentuais acima daquilo que era previsto face ao que o país produz (o nosso PIB). A meu ver, nada mais errado. Economias mundiais que cunham moeda - algo que desde que aderimos ao Euro se tornou impossível, tendo os países aderentes à moeda única perdido a sua política monetária – têm dívidas maiores do que a nossa e não sacrificaram a sua Economia por causa disso. Não há resolução da dívida sem crescimento económico. E o “crescimento económico” tão apregoado quer dizer que mais pessoas estão empregadas, mais pessoas gastam dinheiro porque consomem – aumento da massa monetária em circulação – e por essa via aumentam as receitas das empresas e do Estado, combatendo desse modo o desemprego. Portugal está hoje, cúmplice do compromisso do défice face ao PIB, a retirar dinheiro aos portugueses, rasgando compromissos do Estado (por exemplo com os pensionistas) para cumprir os critérios dos credores. Estamos a destruir a maior riqueza que um país pode ter: aumentámos o desemprego destruindo a nossa capacidade produtiva e estamos a deixar que uma geração de jovens portugueses definhe em Portugal ou opte pela emigração. Portugal, são os portugueses. É certo que em parte a culpa também é lusa, onde a nível nacional e regional se desbarataram milhões de euros em obras inúteis face às reais necessidades das populações, quer porque não têm utilidade no dia-a-dia, quer porque não trouxeram qualquer efeito reprodutivo em termos económicos. Portugal tem em vários países do Mundo alguns dos seus melhores quadros. Demos e continuamos a dar provas de uma capacidade criativa ímpar, de uma alegria latina imensa e de um profissionalismo à prova de qualquer avaliação. Se com estas características fossemos, em Portugal, organizados, seríamos quase imbatíveis. Hoje, a ditadura é financeira. [email protected]

Luís Sena-Lino Consultor de Marketing e Comunicação