Luís da Mata No Funchal tivemos 106.637 eleitores inscritos e destes aproximadamente metade decidiu não exercer o seu direito de voto. A abstenção não é reconhecida na contabilidade dos votos mas é indiscutivelmente o “partido” vencedor deste acto eleitoral. Não nos esqueçamos que a palavra é prata e o silêncio é ouro. Enquanto a alternância democrática vai disfarçando uma república cansada e distante do cidadão a única coisa que de facto ganha espaço é o desencanto pelo modelo político em vigor. Não felicito nenhum vencedor, muito menos um movimento criado a partir de uma manta de retalhos sem coerência ideológica dos partidos apoiantes. Até porque o dito vencedor apenas recolheu 19,79% de votos. Não me enganei nos cálculos, pois contabilizo a vontade expressa por todos, os que debaixo de chuva acharam que era seu dever votar, mas também aqueles que lá não foram, por estarem convictos que o sistema faleceu e a sua reanimação não é aconselhável, pois a morte cerebral já é certa. Ontem todos perdemos, estamos mais distante de um país/região que conta com o empenho e comprometimento dos seus cidadãos. Perdedores e vencedores, se assim se podem chamar, foram fruto de males maiores. Esperam-se melhores tempos!